Uma vaga de violência contra mototaxistas está a provocar alarme na província de Gaza, em Moçambique, onde profissionais do sector exigem investigações aprofundadas aos homicídios registados nos distritos de Limpopo, Chongoene e Chókwè. Mais de uma centena de mototaxistas concentraram-se em Xai-Xai para pedir respostas às autoridades, numa altura em que o corpo de um jovem desaparecido foi encontrado nas matas de Chilembene com cortes na cabeça e noutras partes do corpo, além de sinais de mutilação. Segundo o jornal moçambicano O País, os familiares da vítima reclamam esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte.
A insegurança faz parte do quotidiano. Gervásio Manave, representante dos mototaxistas, denunciou perseguições, assassinatos e roubos de motorizadas, recordando um caso ocorrido em Chongoene no qual os atacantes terão recorrido a armas. Amiel Moiane e Salomon Pedro apontaram Mahumane e a Baixa de Chicumbane, no distrito de Limpopo, como zonas particularmente perigosas, onde os profissionais dizem ser frequentemente interceptados e assaltados. A classe pede um reforço efectivo da presença policial e alerta também para os riscos associados à presença de menores e de pessoas sem licença no exercício da actividade.
A criação de associações locais e provinciais, acompanhada pela partilha dos trajectos efectuados pelos mototaxistas, surge entre as medidas defendidas pelas autoridades para melhorar a prevenção de sequestros e assassinatos. Alfeu Macaringue, delegado do INATRO em Gaza, considera que a partilha dos roteiros permitirá reforçar a monitorização e a segurança em tempo real. O encontro realizado esta quarta-feira, em Xai-Xai, juntou mototaxistas, autoridades policiais, representantes do INATRO e da Polícia Municipal.
Os acidentes rodoviários agravam o balanço de vítimas. De acordo com O País, Gaza contabiliza este ano 43 mortes em acidentes de viação, entre as quais 12 mototaxistas, vítimas de sete acidentes. A combinação entre criminalidade, assaltos e sinistralidade está agora no centro das preocupações destes profissionais, que reclamam medidas concretas e o esclarecimento dos casos de homicídio ainda sem resposta.



