A ficção «Nxka Ba Sulu» garantiu o Prémio Novos Autores PALOP à realizadora são-tomense Jéssica Lima, na 16.ª edição do Kugoma – Fórum de Cinema Moçambique. Emocionada, a cineasta dedicou a distinção à mãe, que viajou até Moçambique para assistir à cerimónia.
Na mesma categoria concorreram Grace Ribeiro, de Cabo Verde, e Denilson Nzala, de Angola. O júri reuniu Emília Wojciechowska, cabo-verdiana, a par de Gabi Ueno e de António Maxlhaieie, director de produção do certame.
A obra premiada é uma ficção que se debruça sobre relacionamentos contemporâneos. Segundo o Expresso das Ilhas, a gala incluiu ainda a entrega dos Prémios Maxfilm Creative, dedicados a categorias técnicas — melhor realizador, melhor actor, melhor actriz, melhor fotografia e melhor director de caracterização.
O palmarés estendeu-se a vários jovens criadores. Assane Ramadane arrecadou o Prémio Novos Autores Moçambique com «A Última Travessia», curta-metragem que mergulha na migração ilegal e no tráfico de pessoas. O mesmo trabalho valeu-lhe os galardões de Melhor Tratamento de Som e Melhor Pitch. A Gamito Fumane coube uma Menção Honrosa por «Chamas».
Nos Prémios Maxfilm Creative, «Submergido» foi o grande dominador. Idelfonso Colaço venceu como Melhor Director de Fotografia, Ariel Añez levou o troféu de Melhor Realizador e Dino Cumbane impôs-se na categoria de Melhor Actor. O prémio de Melhor Actriz recaiu sobre Moya Langa, pela interpretação em «Chamas».
Nascida em Lisboa e filha de pais são-tomenses, Jéssica Lima cresceu em São Tomé e Príncipe. Foi aí que percebeu, ainda cedo, que o gosto pelas artes a empurrava para um caminho distinto. Formou-se em teatro e cinema na East 15 Acting School, no Reino Unido, e desde então tem cruzado geografias e linguagens artísticas ao longo do percurso. Entre os seus trabalhos sobressai o documentário «Chama-me Maria», de 2022, sobre a violência contra as mulheres no arquipélago, distinguido como Melhor Curta-Metragem no São Tomé Fest Film.
O Prémio Destaque Afro-Brasil recaiu sobre «Um Oceano Inteiro», curta-metragem brasileira produzida por Carolina Porto e realizada por Carine Fiúza e Bruna Dias. A edição deste ano marcou também a estreia das actividades do FilmLab Moçambique no certame, que decorreu em vários espaços da capital moçambicana — o CCFM, o Museu Mafalala, o Chapa 100 e o Netkanema.


