Uma das sagas mais populares do cinema francês encontra abrigo temporário num espaço improvável, num diálogo inesperado entre o património arquitectónico e a memória do grande ecrã. A igreja Sainte-Barbe, em Lasauvage, acolhe até 13 de setembro uma exposição dedicada a «Le gendarme de Saint-Tropez», a série de comédias que faz rir várias gerações desde 1964. A entrada é livre.
A mostra foi concebida como uma imersão. Ocupa o interior da igreja e convida o visitante a reencontrar o universo bem-disposto e ligeiramente disparatado dos gendarmes franceses, num cruzamento entre o sol da Côte d’Azur, o rigor militar e o caos cómico.
No centro de tudo está Louis de Funès. O actor, inesquecível no papel do marechal-de-logis-chefe Ludovic Cruchot, ajudou a transformar esta série num fenómeno de culto. O seu génio cómico — feito de gesto, de ritmo e de um exagero sempre controlado — deixou marca funda na história do cinema. É essa arte que a exposição quer celebrar.
O percurso reúne arquivos raros e excertos de filmes, um mergulho nos bastidores de um êxito que resistiu ao tempo. Há, porém, mais do que nostalgia. A mostra propõe também um retrato de toda uma época: a dos Trinta Gloriosos, do crescimento do turismo na Côte d’Azur e das mutações sociais que atravessaram a França das décadas de 1960 e 1970.
Pensada para todos os públicos, a iniciativa assume-se lúdica, familiar e cultural. Uma experiência original, servida num cenário que ninguém esperaria.
Pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h, e aos fins-de-semana, das 10h às 19h. A organização é do município de Differdange, em parceria com o museu Louis de Funès de Saint-Raphaël e o Kiwanis Club Esch-sur-Alzette ASBL.


