A prevenção do HIV passou a dispensar idas constantes ao hospital. Basta uma injecção duas vezes por ano para proteger quem vive em maior risco — e a adesão cresce, sobretudo entre os mais novos. Pelo menos 17 unidades sanitárias da cidade de Maputo disponibilizam já o Lenacapavir, um medicamento injectável de longa duração destinado à profilaxia pré-exposição.
O objectivo é directo: travar o número de novas infecções, que voltaram a subir nos últimos anos. Adolescentes e jovens continuam a ser o grupo mais afectado, e é também aí que o novo método tem conquistado mais confiança. Segundo o Jornal Notícias, a procura aumenta à medida que se percebe a comodidade de um esquema semestral.
A profilaxia pré-exposição injectável está indicada para pessoas em risco de contrair a infecção. São duas administrações por ano — e nada mais. Essa simplicidade explica boa parte da adesão registada nas unidades.
A confirmação do crescente recurso ao serviço foi dada no Centro de Saúde de Xipamanine, durante a passagem de uma delegação de parlamentares da Alemanha e do Luxemburgo. Os deputados quiseram compreender de perto a eficácia e a eficiência do medicamento, administrado de seis em seis meses, e os resultados obtidos no terreno.
A vereadora municipal de Saúde e Qualidade de Vida, Alice de Abreu, associou a preferência por este método à redução das deslocações dos pacientes às unidades sanitárias. Menos idas ao hospital, mais gente a manter a prevenção — a lógica é essa.
Para uma cidade onde as novas infecções voltaram a preocupar, a diferença faz-se sentir. O interesse manifestado pelos parlamentares europeus, que fizeram questão de observar os resultados no local, confirma que o que se passa em Maputo está a ser acompanhado bem para lá das suas fronteiras.


