Aprender a cozinhar, subir a um palco ou descobrir os segredos de um arquivo histórico são algumas das experiências que as colónias de férias trouxeram, este verão, às crianças e jovens de várias ilhas de Cabo Verde. Com o fim do ano lectivo, a oferta multiplicou-se. Há programas para quase todos os gostos — da culinária à dança, da música ao teatro, do cinema à fotografia, sem esquecer as línguas e as artes — e os preços variam consoante o espaço.
Na Cidade da Praia, o KR Eventos abriu portas a cerca de 20 crianças e adolescentes. O prato forte é um verdadeiro curso de culinária, em que os mais novos aprendem a preparar bolos, pizzas, hambúrgueres e sobremesas, sempre com acompanhamento especializado. Mas não fica por aí. Há artes, música, dança, jogos na piscina e visitas de estudo, com pacotes semanais, quinzenais, mensais ou de um único dia. A monitora Isabel Rodrigues deixa um recado aos pais: em vez das horas coladas ao telemóvel, propõe umas férias em que os miúdos cozinham, criam e descobrem talentos que ficam para a vida.
Ainda na capital, a Lily Kids vai mais longe no calendário. A sua colónia arrancou a 29 de junho e prolonga-se até setembro, já a preparar o regresso às aulas com a revisão da matéria do ano anterior. Dirigida a crianças dos 4 aos 13 anos, junta expressão plástica, teatro, leitura, jogos de raquete e passeios. A directora, Iliana Fernandes, faz questão de sublinhar a aposta na música tradicional, que serve de pretexto para falar da cultura cabo-verdiana — do vestuário à escravatura, passando pela figura de Amílcar Cabral. É a segunda edição do espaço, que estreou a fórmula em 2025.
Quem procurava livros também teve onde os encontrar. A Biblioteca Nacional de Cabo Verde levou a cabo mais uma Biblioteca de Verão, iniciativa do Ministério da Cultura, Indústrias Criativas, Juventude e Desporto. Oficinas criativas, jogos educativos e sessões de leitura marcaram o programa. A meio do mês, a 9 de julho, o grupo trocou a sala de leitura pelo Arquivo Nacional, numa visita pensada para mostrar às crianças como se preserva a memória documental do país.
Fora da Praia, os municípios de Santiago entraram igualmente na corrida. Em Ribeira Grande de Santiago, a autarquia promove, até 7 de agosto, a colónia «Aprender, Brincar, Descobrir e Crescer Juntos», para crianças dos 6 aos 12 anos, com actividades pedagógicas, desportivas e culturais. Já em São Lourenço dos Órgãos, a SplorArti montou uma edição gratuita na Escola de Pico de Antónia, entre 19 e 29 de julho, das 10h00 às 12h00 e das 15h00 às 18h00. O convite partiu do Agrupamento I do município, com apoio da câmara, e a directora artística, Soraia Almeida, resume o objectivo: durante dez dias, dezenas de crianças exploram expressão plástica, música, escrita criativa e dinâmicas de grupo.
Em São Vicente, o Centro Multifuncional Ilimitada aposta na inclusão. Recebe crianças com e sem necessidades educativas especiais, todas a fazer exactamente as mesmas actividades — se há tintas, pintam todas; se há passeio, vão todas. Dos 6 aos 11 anos, os participantes têm música, dança, culinária e saídas ao Museu do Mar e a espaços de contacto com a natureza. A colónia começou a 6 de julho e estende-se até ao final de agosto, com Joyce Gomes, dos Serviços Gerais, à frente da coordenação.
Na ilha do Sal, o programa é dos mais extensos. De 6 de julho a 4 de setembro, crianças e jovens dos 7 aos 14 anos percorrem as Salinas de Pedra de Lume, a Buracona e o Porto da Palmeira, em roteiros que cruzam ambiente, cultura e desporto. Há limpeza de praias e caminhadas ecológicas, oficinas de música e dança, um concurso de fotografia e um leque de modalidades que vai do futsal ao karaté, sem esquecer a corrida jovem «Conhecer o Sal».
No Fogo, o mote repete-se em dois municípios. São Filipe prepara a segunda edição da sua colónia, dirigida a crianças e jovens dos 6 aos 15 anos, com teatro, dança tradicional, reciclagem e trabalhos manuais que incluem renda e bordado. Em Santa Catarina do Fogo, a estreia chegou a 13 de julho, na Escola Básica de Cova Figueira, e reúne mais de 50 crianças dos 6 aos 12 anos até 3 de agosto. Entre aulas de inglês e francês, música tradicional e piqueniques educativos, o lema resume a intenção: «Ser criança é viver a magia de cada instante com um sorriso no rosto».


