A poucos dias da ida às urnas, o dispositivo internacional de observação do escrutínio em São Tomé e Príncipe entrou na sua fase mais intensa. Foram destacados catorze observadores de curto prazo por todo o arquipélago. Segundo o Jornal Tropical, este grupo constitui o terceiro contingente da Missão de Observação Eleitoral da União Europeia (MOE UE) no país.
O reforço soma-se a equipas já colocadas no terreno nas semanas anteriores. Uma equipa central de sete analistas eleitorais chegou a São Tomé a 14 de junho; dois observadores de longa duração encontram-se a acompanhar o processo desde 30 de junho. «Graças aos esforços de todos, a nossa Missão poderá realizar uma avaliação rigorosa, objectiva e abrangente de todos os aspectos do processo eleitoral, com base numa observação de longo prazo», afirmou o chefe dos observadores, Sérgio Humberto, membro do Parlamento Europeu.
Antes do destacamento, os recém-chegados passaram por dois dias de formação em São Tomé. O programa cobriu o enquadramento jurídico, o contexto eleitoral, os preparativos e procedimentos de votação, o ambiente político e o panorama mediático, incluindo as redes sociais. A este núcleo juntar-se-á ainda um grupo de diplomatas dos Estados-Membros da UE acreditados no país. No dia eleitoral, a missão contará com trinta observadores oriundos da UE e do Canadá.
O que farão? «Hoje, dia 19 de julho, observarão a abertura das mesas de assembleia, a votação e o encerramento das urnas, bem como a contagem dos votos. Ficarão no terreno para acompanhar o apuramento dos resultados nas mesas até à sua conclusão. Ficarão também em todos os distritos e na ilha do Príncipe para acompanhar os primeiros dias do apuramento distrital. Aguardamos com expectativa as suas observações no terreno, que serão importantes para podermos fazer uma avaliação informada e factual também do dia eleitoral», acrescentou Sérgio Humberto.
A leitura da missão não se esgota, porém, no acto de votar. A análise abrange o enquadramento jurídico e a sua aplicação, o trabalho da administração eleitoral, as actividades de campanha de candidatos e partidos, o grau de igualdade de condições, a conduta dos órgãos de comunicação social e a resolução do contencioso eleitoral.
Uma primeira leitura pública surge cedo. A MOE UE apresentará as suas constatações e conclusões preliminares numa conferência de imprensa a 21 de julho, dois dias após o escrutínio, e manter-se-á no país até à conclusão de todos os processos eleitorais. O relatório final, com recomendações para futuros actos eleitorais, será divulgado cerca de dois meses depois e entregue às autoridades nacionais, aos partidos e à comunicação social santomense.


