A reforma “ALPHA – zesumme wuessen” recebeu uma nova validação científica e prepara-se para ser alargada a todas as escolas do ensino fundamental no Luxemburgo a partir do próximo ano lectivo, depois de as avaliações de 2026 confirmarem melhorias na aprendizagem e uma redução do número de alunos obrigados a prolongar o percurso escolar.
Os relatórios de avaliação foram divulgados pelo Ministério da Educação Nacional, da Infância e da Juventude e dão continuidade ao trabalho iniciado em 2025, recorrendo à mesma metodologia de análise. Segundo o Governo do Luxemburgo, os resultados agora publicados reforçam as conclusões obtidas no primeiro ano de avaliação e sustentam a decisão de generalizar progressivamente o projecto-piloto.
Um dos indicadores mais relevantes diz respeito ao chamado “alongamento” do ciclo de aprendizagem, situação em que um aluno necessita de mais tempo para concluir uma etapa escolar. Nas escolas que participaram no projecto-piloto, essa taxa desceu de 21,1% para 15,6%, o que representa uma redução de 5,5 pontos percentuais face à média registada nos oito anos lectivos anteriores. O relatório conclui ainda que a língua de alfabetização deixou de ser o principal motivo para esse prolongamento, um dos objectivos centrais da reforma.
Com base nestes resultados, o Ministério decidiu avançar com a implementação nacional da reforma a partir do ano lectivo 2026/2027. A expansão será gradual e coordenada pelas direcções regionais de ensino, envolvendo igualmente o SCRIPT, o IFEN, a Direcção-Geral do Ensino Fundamental e as equipas pedagógicas locais.
Os relatórios identificam cinco pilares para garantir essa transição. O primeiro passa pelo reforço da formação dos professores, com mais de 60 acções de formação previstas para os ciclos 2 a 4 e mais de 40 para o ciclo 1, abrangendo alfabetização, gestão de turmas multilingues e orientação pedagógica. A formação inicial da Universidade do Luxemburgo será igualmente adaptada ao novo modelo.
Outro eixo considerado essencial é a produção de novos materiais didácticos adaptados à diversidade linguística dos alunos. O SCRIPT continuará a desenvolver manuais e recursos pedagógicos em colaboração com os docentes, revendo e actualizando os materiais criados durante o projecto-piloto antes da sua distribuição progressiva pelas escolas.
O plano prevê ainda um acompanhamento permanente das escolas através das direcções regionais, o reforço da comunicação com os encarregados de educação, incluindo ferramentas de informação em várias línguas, e um sistema de monitorização contínua. Entre os indicadores que continuarão a ser avaliados figuram os resultados escolares, o bem-estar dos alunos, o envolvimento das famílias e a evolução dos percursos educativos.
A divulgação dos relatórios surge também depois da polémica em torno de um estudo elaborado pelo Luxembourg Center for Educational Testing (LUCET). O Ministério voltou a rejeitar qualquer alegação de que tenha pedido o adiamento da publicação do relatório por discordar das suas conclusões. Segundo o Governo do Luxemburgo, o adiamento resultou da decisão de submeter o estudo a uma análise científica mais aprofundada pelo Conselho Científico que acompanha a reforma e por especialistas internacionais do conselho consultivo do LUCET, tendo o respectivo comité de direcção aceite esse procedimento antes da publicação.


