Uma posição comum da União Europeia sobre a participação de atletas russos sob a bandeira da Rússia e a proibição do comércio com os colonatos israelitas voltou a estar no centro das discussões europeias, durante a mais recente reunião do Conselho dos Negócios Estrangeiros da UE.
Os temas foram debatidos em Bruxelas com a participação do vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio Externo do Luxemburgo, Xavier Bettel. Segundo o Governo do Luxemburgo, a reunião incidiu sobre a guerra na Ucrânia, a situação no Médio Oriente e a segurança na região do Mar Negro.
A sessão dedicada à agressão russa contra a Ucrânia arrancou com uma intervenção presencial do ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha. Durante o debate, Xavier Bettel manifestou-se contra um eventual regresso dos atletas russos às competições internacionais sob a bandeira nacional da Rússia. Na sua opinião, Moscovo continua sem demonstrar qualquer intenção de pôr termo à guerra, pelo que uma decisão nesse sentido transmitiria um sinal difícil de compreender. O governante defendeu ainda que os Estados-membros adoptem uma posição conjunta sobre esta matéria.
O Conselho analisou igualmente a situação no Mar Negro. Em nome do Benelux, cuja presidência rotativa do Comité de Ministros é actualmente assegurada pelos Países Baixos, foi apresentada uma intervenção que destacou a importância estratégica daquela região. O objectivo, segundo o Governo do Luxemburgo, passa por garantir a liberdade de navegação e assegurar a protecção das infra-estruturas energéticas e marítimas.
O conflito no Médio Oriente ocupou também uma parte significativa dos trabalhos. Os ministros discutiram a evolução da situação no Irão, em Israel, na Palestina e no Líbano.
Relativamente ao Irão, Xavier Bettel reiterou que todas as partes envolvidas devem respeitar o direito internacional. Quanto ao Líbano, alertou para a fragilidade do memorando de entendimento actualmente em vigor e lamentou quaisquer iniciativas que possam contribuir para o reacender das hostilidades.
Sobre Israel e a Palestina, o ministro luxemburguês voltou a manifestar preocupação com o agravamento da situação humanitária na Faixa de Gaza, sublinhando que as condições continuam a deteriorar-se apesar da existência de um plano de paz. Referindo-se à Cisjordânia, considerou que a política de colonização israelita continua a agravar a crise humanitária.
Durante a reunião foi igualmente debatido um documento de trabalho relativo ao comércio da União Europeia com os colonatos israelitas considerados ilegais à luz do direito internacional. Xavier Bettel declarou apoiar a proibição desse comércio, defendendo que a questão deve ser tratada como matéria de política comercial da União Europeia e decidida através de votação por maioria qualificada. Segundo o Governo do Luxemburgo, o ministro considerou ainda que a Comissão Europeia deve apresentar rapidamente uma proposta concreta para que os Estados-membros possam pronunciar-se sem novos atrasos.


