A actividade no mercado imobiliário residencial do Luxemburgo voltou a um ritmo considerado normal no primeiro trimestre de 2026, com uma subida moderada dos preços de venda a coexistir com tensões persistentes no segmento do arrendamento. Depois da forte recuperação registada em 2025, impulsionada sobretudo pelos efeitos de medidas fiscais temporárias, o sector parece agora orientar-se de novo pelos seus fundamentos económicos, mantendo os volumes de transacções claramente acima dos mínimos observados na fase mais aguda do abrandamento, entre 2023 e o início de 2024. É esta a leitura que decorre do relatório de análise n.º 25 do Observatório do Habitat, divulgado pelo Governo do Luxemburgo.
No mercado dos alojamentos já existentes, a actividade continuou a progredir em termos homólogos. As vendas de apartamentos usados subiram 9,4% face ao primeiro trimestre de 2025, totalizando 968 transacções, um valor muito próximo da média de 1.032 negócios registada nos primeiros trimestres entre 2017 e 2021, o que coloca este segmento perto dos padrões anteriores à crise. As moradias prosseguiram igualmente a recuperação, com 650 vendas no primeiro trimestre de 2026, mais 11,5% do que um ano antes, embora a actividade permaneça ainda ligeiramente abaixo dos níveis pré-crise.
Mais frágil mostra-se o segmento dos apartamentos em construção, vendidos no regime de venda em estado futuro de acabamento. Aqui contabilizaram-se 207 transacções no primeiro trimestre de 2026, uma quebra de 18,2% em comparação homóloga. Apesar da melhoria face ao trimestre anterior, a actividade continua muito distante dos cerca de 650 negócios que, em média, se registavam nos primeiros trimestres antes da crise imobiliária.
Quanto aos preços, o índice hedónico de venda dos alojamentos calculado pelo Statec avançou 0,7% em relação ao trimestre anterior e 1,7% em termos homólogos, confirmando a estabilização gradual iniciada no começo de 2024, após a correcção acentuada de 2023. A evolução continua, contudo, a diferir entre segmentos: os preços das moradias antigas subiram 3,0% num ano, enquanto os apartamentos usados e os apartamentos em construção registaram aumentos mais contidos, de 0,9% em ambos os casos. Como a inflação medida pelo índice nacional de preços no consumidor atingiu 1,6% no período, a valorização da habitação aproxima-se agora da observada para o conjunto dos bens e serviços de consumo.
O comportamento do arrendamento revela-se sensivelmente diferente. As rendas anunciadas dos apartamentos subiram 0,5% face ao trimestre anterior e 4,4% em termos homólogos, um ritmo bastante superior tanto à inflação geral como à evolução dos preços de venda, sinal de uma nova fase de tensão neste mercado. O aluguer de quartos mobilados, que representa actualmente cerca de 18% da oferta total de arrendamento, regista uma progressão ainda mais rápida, de 4,7% num ano. Importa, todavia, sublinhar que estes valores dizem respeito aos novos contratos: as rendas em vigor evoluem em proporções muito mais próximas da inflação, com o índice do Statec a apontar para uma subida de apenas 1,4% no mesmo período.
A análise assenta nos dados recolhidos pelo Statec e pelo Observatório do Habitat, em colaboração com a Administração do Registo, dos Domínios e do IVA, no que respeita à actividade e aos preços de venda apurados a partir dos actos notariais, e recorre ainda à informação fornecida pelo portal Immotop.lu quanto às rendas anunciadas. O documento foi comunicado pelo Ministério da Habitação e do Ordenamento do Território.


