O acesso autónomo à informação redigida em língua luxemburguesa torna-se mais alargado com a entrada em circulação de um conjunto de regras e recomendações destinado a eliminar as barreiras linguísticas que afastam muitos leitores dos conteúdos administrativos e oficiais. O objectivo é claro: garantir que textos de áreas tão sensíveis como o trabalho, a escola, a saúde ou a política possam ser compreendidos pelo maior número possível de pessoas, incluindo aquelas que, até aqui, dependiam de terceiros para aceder a informação relevante.
Reunidas na brochura «Liicht Sprooch Lëtzebuergesch», publicada a 16 de junho, estas directrizes resultam de um projecto conduzido pelo Centro da Língua Luxemburguesa (ZLS) em estreita colaboração com especialistas e foram concebidas como um instrumento prático para administrações, ministérios e outros agentes. As regras assentam em princípios simples mas exigentes: recurso a palavras correntes e de uso frequente, explicação dos termos mais difíceis, frases curtas que veiculam apenas uma informação de cada vez e uma construção directa do tipo sujeito-verbo-objecto. A forma passiva é evitada em favor da voz activa, cada nova frase começa numa nova linha e o texto é dividido em secções curtas, organizadas por subtítulos. A composição gráfica privilegia a legibilidade, com um tipo de letra maior e sem serifas, imagens e pictogramas de apoio e o destaque a negrito das informações essenciais.
«A língua é uma chave essencial para o acesso à informação e para a participação na sociedade. Com esta nova brochura criamos uma base para que também as pessoas com dificuldades de leitura e de compreensão tenham um melhor acesso à informação em luxemburguês», sublinhou o ministro da Cultura, Eric Thill, para quem a linguagem simples representa «um passo concreto rumo a uma maior inclusão e a uma maior igualdade de oportunidades na nossa sociedade». Para sinalizar que um texto respeita estes critérios existe um logótipo europeu, da responsabilidade da organização Inclusion Europe, cuja utilização depende da validação prévia por um grupo de verificação composto por adultos e jovens com deficiência intelectual, que lêem ou ouvem os textos e propõem melhorias.
O alcance da medida é vasto, porque o público abrangido é igualmente diverso. Beneficiam destas regras as pessoas com deficiência intelectual, com demência, com afasia ou com limitações auditivas e visuais, mas também os idosos, os analfabetos funcionais, quem está a aprender a língua e quem tem necessidades específicas, como no caso da dislexia. Mesmo os leitores sem dificuldades de maior retiram vantagens da linguagem simples, uma vez que esta permite captar a informação principal de um texto sem grande esforço, num contributo directo para uma sociedade mais inclusiva.
A iniciativa inscreve-se num movimento internacional iniciado em 2009 pela Inclusion Europe que, com representantes da Alemanha, da Áustria, da Finlândia, da França, da Irlanda, da Lituânia, de Portugal e da Escócia, fixou um primeiro conjunto de regras para a linguagem simples, hoje disponível em várias línguas, entre as quais o alemão, o francês e o inglês. Perante a forte procura por parte de serviços e administrações, Pierre Reding, então director interino do ZLS e comissário para a língua luxemburguesa, incumbiu o centro de elaborar um documento adaptado ao luxemburguês, em respeito pela trilinguidade oficial do país. O trabalho contou com a participação directa de pessoas com deficiência intelectual, fiel ao lema do grupo de trabalho — «Fazemos algo para as pessoas, com as pessoas!» —, e dará origem a uma publicação actualizada com regularidade, a partir das reacções recolhidas junto dos utilizadores. Segundo o Ministério da Cultura, o documento já se encontra disponível para descarregamento e o Governo do Luxemburgo mantém aberta a recolha de sugestões para o aperfeiçoar.


