O futuro da política agrícola comum (PAC) para o período posterior a 2027 esteve no centro de um debate de orientação que apontou para um modelo mais direccionado, flexível e ajustado às condições concretas do trabalho no terreno. A discussão decorreu no âmbito do Conselho «Agricultura e Pescas» da União Europeia onde os ministros analisaram igualmente a situação dos mercados agrícolas e ouviram um relato sobre as dificuldades do sector na Ucrânia.
Para a ministra luxemburguesa da Agricultura, da Alimentação e da Viticultura, Martine Hansen, a coerência da futura política europeia depende da sua capacidade de se centrar nos agricultores que contribuem para a soberania alimentar e para a manutenção da actividade agrícola nas zonas rurais. A responsável sublinhou a necessidade de aprofundar a reflexão sobre a definição de agricultor activo e sobre o direccionamento dos apoios, de modo a orientar o suporte para as explorações que criam valor acrescentado. Recordou ainda que o apoio aos jovens agricultores deve permanecer uma prioridade e defendeu a preservação de uma margem de manobra suficiente para os Estados-membros na aplicação de determinados mecanismos da PAC.
Nas reflexões mantidas a 5 de Junho com representantes dos sectores agrícola, vitícola e hortícola, ficou definido que o sistema assente no agricultor activo, tal como existe actualmente, deverá poder manter-se no Luxemburgo, eventualmente com algumas adaptações pontuais. O Governo do Luxemburgo reafirmou o seu compromisso com objectivos comuns à escala europeia, salvaguardando simultaneamente o princípio da subsidiariedade e garantindo uma transição sem sobressaltos entre os períodos de programação.
A situação dos mercados revelou-se outro ponto de preocupação, sobretudo devido à forte quebra dos preços do leite registada no primeiro semestre de 2026. Embora prudente quanto a uma estabilização progressiva, a ministra advertiu que o reequilíbrio em curso pode provocar reestruturações profundas, em prejuízo dos produtores de leite, os mais vulneráveis da fileira. Apontou ainda o peso das tensões geopolíticas sobre o sector, nomeadamente através da subida dos preços da energia e dos fertilizantes, e saudou a reacção rápida da Comissão Europeia, apelando a uma aplicação célere e pragmática das medidas, sem encargos administrativos excessivos, para que os apoios cheguem efectivamente aos agricultores.
A intervenção do vice-primeiro-ministro da Ucrânia, Taras Kachka, expôs as dificuldades enfrentadas pelo sector agrícola do seu país, ao que a responsável luxemburguesa respondeu reiterando o pleno apoio do Governo do Luxemburgo a Kiev. Martine Hansen destacou que a Europa e a Ucrânia são parceiros na construção de uma agricultura soberana no continente, ressalvando contudo a necessidade de ter em conta os interesses dos sectores mais sensíveis do espaço europeu. No encerramento dos trabalhos, a ministra insistiu na importância de reforçar a autonomia estratégica da agricultura europeia, em particular no domínio dos factores de produção, e de prosseguir os trabalhos relativos às estratégias para os fertilizantes, as proteínas vegetais e a pecuária.


