A combinação entre temperaturas elevadas e a toma de determinados medicamentos constitui um risco frequentemente subestimado durante as vagas de calor, com consequências que podem ir da desidratação a reacções cutâneas graves. Vários tratamentos podem favorecer a perda de líquidos, perturbar os mecanismos naturais de regulação da temperatura corporal ou ser pior tolerados quando o termómetro dispara, exigindo por isso uma atenção redobrada nos dias mais quentes.
Entre os grupos mais expostos encontram-se as pessoas idosas, os doentes crónicos e quem toma vários medicamentos em simultâneo, situações em que o efeito do calor sobre o organismo se cruza com o dos próprios fármacos. Nesses casos, o equilíbrio fisiológico fica mais frágil, e a desregulação da temperatura ou a desidratação podem instalar-se de forma mais rápida e silenciosa do que o habitual.
Outro alerta diz respeito à sensibilidade da pele ao sol, que pode ser agravada por certos medicamentos e originar reacções cutâneas por vezes severas. Este efeito é particularmente associado a alguns antibióticos, anti-inflamatórios e antidepressivos, cuja toma durante períodos de exposição solar prolongada deve ser ponderada com cuidado.
A Direcção da Saúde sublinha que nunca se deve alterar nem interromper um tratamento sem aconselhamento médico, desaconselhando de forma expressa a automedicação durante as vagas de calor. Em caso de dúvida, recomenda-se o recurso a um médico ou farmacêutico, bem como o respeito pelas condições de conservação dos medicamentos, já que as temperaturas elevadas podem afectar a sua qualidade. Os cuidados essenciais mantêm-se: hidratar-se com regularidade, permanecer em ambientes frescos, evitar a exposição prolongada ao calor e procurar um profissional de saúde sempre que surjam questões.


