A identificação e o mapeamento de terrenos com elevado potencial agrícola estão a ser intensificados em vários municípios de Timor-Leste, num esforço para aumentar a produção alimentar, reduzir a dependência das importações e reforçar a segurança alimentar do país. O trabalho está a ser conduzido pela Câmara de Comércio e Indústria de Timor-Leste (CCI-TL), cujo presidente, Jorge Serrano, indicou que uma equipa técnica se encontra já no terreno a localizar áreas de grande dimensão e elevada capacidade produtiva.
Segundo o The Dili Weekly, o responsável defende que o sector privado deverá assumir um papel central no investimento, sem que isso retire protagonismo aos produtores. «Se isto correr bem, o sector privado terá a responsabilidade de investir, mas tal não visa diminuir o papel dos agricultores. O objectivo principal é ajudá-los a aumentar a produção nas suas terras», afirmou Serrano, em declarações feitas em Akait, Díli.
Para o presidente da CCI-TL, a integração de tecnologia agrícola constitui uma componente decisiva do programa, de modo a assegurar que a produção cresça não apenas em quantidade, mas também em qualidade, de forma consistente e sustentável. «Este programa vai também incorporar tecnologia capaz de garantir uma boa produção e de elevar a qualidade. É fundamental para assegurar a sustentabilidade da agricultura no futuro», sublinhou.
Entre os territórios já apontados como altamente produtivos contam-se os municípios de Suai, Maliana, Baucau, Oecusse, Lospalos e Viqueque, que serão prioritários na fase de implementação que se avizinha. Serrano esclareceu que estas áreas não se limitarão à agricultura, integrando igualmente investimento no sector pecuário, com vista a aumentar a produção de carne e a diversificar as fontes alimentares do país. O desenvolvimento agrícola, acrescentou, deverá ser acompanhado por um planeamento adequado, que inclua o acesso ao mercado, infra-estruturas e formação dos produtores.
A iniciativa recolhe o apoio das estruturas locais, ainda que acompanhado de apelos a um maior envolvimento do sector privado. O chefe do suku de Bahalarauin, Angelo Pinto, considerou que os agricultores, por si só, não conseguem responder às necessidades alimentares diárias da comunidade, uma vez que a produção local se mantém num registo de subsistência. «Os agricultores não são suficientes. Trabalham apenas para responder às necessidades alimentares do dia a dia. Por isso, é preciso investimento para aumentar a capacidade de produção», declarou. Pinto sustentou ainda que a colaboração entre o Governo, o sector privado e as comunidades locais é determinante para o êxito do programa, de forma a que os resultados se façam sentir tanto a nível familiar como no mercado nacional.


