A defesa de um jornalismo rigoroso, capaz de fazer frente a conteúdos enganosos e à propagação de notícias falsas, ganhou novo relevo numa mensagem em que o líder da Igreja Católica advertiu para os formatos que se apresentam como informação credível, mas que escondem dados fabricados, descontextualizados ou deliberadamente concebidos para semear divisões e confrontos extremos entre grupos.
A mensagem foi dirigida ao diário italiano «L’Adige», por ocasião do 80.º aniversário da sua fundação. Nela, o Papa Leão XIV exortou os comunicadores a «fortalecer as comunidades na verdade que a todos nos une», pedindo que se governe a tecnologia sem ceder à retórica do pensamento único e que se respeitem as diferentes opiniões. O apelo inscreve-se num contexto de transformações tecnológicas aceleradas e de crescente desconfiança em relação aos meios de comunicação.
O pontífice instou ainda os profissionais da comunicação a não cederem à tentação de obter maiores lucros recorrendo àquilo que classificou como «a droga das notícias falsas». «No tempo de grandes mudanças que atravessamos, desejo ao vosso jornal que possa ser sempre instrumento de verdade, guardião da história e da memória, fonte de conhecimento e fermento de humanidade», escreveu, em palavras dirigidas ao director da publicação.
Na sua carta, o Papa evocou as origens do jornal e o seu nome, que remete para o rio Adige, cujo curso atravessa a cidade de Trento. «A água que corre é, de facto, símbolo de uma contínua regeneração, possível apenas se se beber de uma fonte pura», recordou, fazendo desta imagem uma metáfora para o exercício da profissão. Para o pontífice, informar com qualidade é ser água que sacia em profundidade a sede de saber de pessoas de diferentes gerações, alimentar as consciências com factos reais e não com boatos, oferecer uma leitura correcta e transparente dos acontecimentos quotidianos e unir a comunidade nos bons e nos maus momentos, salvaguardando a sua trajectória histórica.
Por fim, o Papa sublinhou que as raízes deste órgão de comunicação dão testemunho da «riqueza do pensamento cristão como fermento do jornalismo» no desenvolvimento e na defesa da liberdade de expressão. A mensagem reforça, assim, uma visão da informação como serviço à verdade e ao bem comum, num momento em que a desinformação e a polarização artificial ameaçam o próprio sentido da realidade.


