Um enviado do Comité Internacional da Paz afirmou, durante uma conferência da Associação da Imprensa Estrangeira em Jerusalém, que o acordo de cessar-fogo negociado entre Israel e o grupo Hamas em Outubro não tem conseguido atender às expectativas de ambas as partes. O ex-diplomata Nickolay Mladenov expressou a sua frustração face às violações repetidas por parte de ambos os lados da trégua mediada pelos Estados Unidos, que resultaram em atrasos nos esforços de reconstrução e na prolongação do sofrimento palestiniano.
De acordo com fontes jornalísticas norte-americanas, as forças israelitas continuam a atacar a população palestiniana, prevenindo a entrada de ajuda humanitária enquanto o Hamas se mantém armado, controlando cerca de metade da Faixa de Gaza. Mladenov enfatizou a urgência da situação, sublinhando a imprudência das condições de vida dos dois milhões de habitantes de Gaza, muitos dos quais ainda habitam em tendas ou entre os escombros, vivendo em constante violência e incerteza.
Mladenov focou-se na questão central que impede o avanço das negociações, que envolve a exigência de desarmamento do Hamas e a sua saída como poder governamental em Gaza. O diplomata sugeriu que a proposta, derivada do plano original de 20 pontos de Donald Trump, contempla medidas como a recompra voluntária de armas e amnistia condicional para aqueles que decidirem entregar os seus armamentos.
Aos líderes do Hamas que não aceitarem este quadro serão oferecidas passagens seguras para determinados países, sublinhando que o Comité não se interessa em represálias, mas sim em criar condições para uma transição pacífica. Mladenov reiterou que o grupo não precisa desaparecer enquanto movimento político, podendo participar em eleições nacionais palestinianas, desde que renuncie à actividade armada. “O que não é negociável é a existência de facções armadas ou milícias com os seus próprios sistemas de comando e controle”, afirmou.


