Os laços entre linguagem, memória e identidade cultural são o ponto de partida do Pavilhão de Timor-Leste na 61.ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, instalado no Arsenale, Artiglierie, um dos espaços de maior prestígio do certame. Sob o tema “Across Words” (“Liu Husi Liafuan” / “Para além das Palavras”), a mostra reúne obras dos artistas Verónica Pereira Maia, Etson Caminha e Juventino Madeira, com curadoria de Loredana Pazzini-Paracciani, e propõe-se a reflectir sobre as formas de preservação e transmissão do conhecimento no país, em particular através da oralidade, da música e de tradições como a tecelagem.
Entre as peças apresentadas, “Tais Don” (1994-99), da artesã Verónica Pereira Maia, presta homenagem às vítimas do Massacre de Santa Cruz, ocorrido a 12 de Novembro de 1991. “CUALE (Flow / Fluxo)” (2025-2026), de Etson Caminha, é uma instalação que conjuga som, performance e tecnologia, enquanto “Fraze ne’ebé seidauk hotu (An Unfinished Sentence / Uma Frase Inacabada)” (2025-2026), de Juventino Madeira, aborda a relação entre memória e identidade a partir da perspectiva de uma geração mais jovem. O conjunto procura evidenciar a diversidade etnolinguística timorense e os múltiplos canais pelos quais a cultura é transmitida ao longo das gerações.
A cerimónia de inauguração, realizada a 7 de Maio de 2026, foi marcada por uma interpretação contemporânea do ritual Verahana, executada por Etson Caminha, que recebeu os visitantes e simbolizou a ligação entre memória ancestral e expressão artística actual. Estiveram presentes o Secretário de Estado da Arte e Cultura, Jorge Soares Cristóvão, a Embaixadora de Timor-Leste em Bruxelas, Maria Lourdes Martins de Souza Bessa, e a Embaixadora junto da Santa Sé, Choloe Tilman, além de membros da Comissão G do Parlamento Nacional, artistas, curadores e convidados internacionais.
Paralelamente à mostra artística, foi apresentada a publicação “ACROSS WORDS: An Anthology” (2026), que compila textos de investigadores e artistas de diversas nacionalidades sobre a arte contemporânea timorense. Durante a sua estadia em Veneza, a delegação participou ainda em iniciativas dos pavilhões de Portugal, Indonésia e Singapura, num esforço de diálogo cultural e cooperação artística. Depois da estreia em 2024, esta segunda presença timorense na Bienal consolida a aposta na diplomacia cultural e na projecção internacional da produção artística do país. A 61.ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza permanecerá aberta ao público entre 9 de Maio e 22 de Novembro de 2026.


