O combate ao racismo na sua intersecção com a discriminação de género valeu uma distinção europeia ao segundo maior município do Grão-Ducado, vencedor do prémio ECCAR 2025 na categoria de cidades com menos de 50 mil habitantes. A Coligação Europeia de Cidades contra o Racismo reconheceu, com este galardão, o trabalho desenvolvido em Esch-sur-Alzette no âmbito do Dia Internacional dos Direitos das Mulheres de 2024, ao longo do qual foi promovida uma série de iniciativas destinadas a evidenciar as ligações entre a luta contra o racismo e o combate à misoginia. O projecto, intitulado “Women’s Rights, Women’s Resistance & International Solidarity in the Focus of the International Day of Women’s Rights”, foi seleccionado pelo Conselho Consultivo Científico da ECCAR e ratificado pela assembleia geral da coligação, reunida em Zurique.A programação distinguida incluiu um conjunto alargado de actividades concebidas em parceria com associações e entidades públicas. Entre os momentos centrais contam-se um atelier criativo colectivo dinamizado pela artista síria Dima Alrefai, um Iftar inter-religioso destinado a mulheres, vocacionado para o diálogo intercultural, e uma sessão de cinema-debate em torno do filme “Sete invernos em Teerão”, acolhida no Ariston. A iniciativa contemplou ainda uma Living Library subordinada ao tema “Direitos Humanos – Vozes de mulheres”, a conferência “Mulheres – Vida – Liberdade – Resistência”, que deu voz a percursos de mulheres iranianas, afegãs e egípcias, a exposição “Pictures for Human Rights”, inspirada na Declaração Universal dos Direitos Humanos, e a acção “Affichons l’égalité”, que colocou nas ruas quarenta painéis temporários em homenagem a mulheres pioneiras na defesa dos direitos humanos, acompanhada de uma campanha em vídeo.A justificação do júri sublinhou o carácter inovador da abordagem interseccional adoptada, ao reconhecer que as políticas centradas exclusivamente no género correm o risco de excluir as mulheres racializadas. O Conselho Consultivo Científico destacou a articulação entre desigualdades raciais, sexistas e misóginas, bem como o esforço de promover políticas de igualdade mais inclusivas, em linha com o compromisso assumido na aplicação da Carta Europeia para a Igualdade das Mulheres e dos Homens na Vida Local. O painel realçou ainda o contributo destas acções para uma melhor compreensão e combate às formas mais subtis de racismo, como as microagressões, o racismo quotidiano e os estereótipos enraizados no espaço público.O reconhecimento europeu coincide com a entrada em nova fase do Pacto Comunal para a Convivência Intercultural, assinado a 24 de Novembro de 2024 entre o Ministério da Família, das Solidariedades, da Convivência e do Acolhimento e o município. Concluído o primeiro ciclo, centrado no acolhimento e na orientação, prepara-se agora um segundo ciclo de carácter participativo, alicerçado em consultas aos cidadãos. A continuidade da cooperação com a ECCAR mantém-se como pilar da estratégia municipal, que conta com presença activa nos vários grupos de trabalho e com assento no Comité Director da coligação, contribuindo para a definição da orientação estratégica da rede. Com cerca de 38 mil habitantes e mais de 120 nacionalidades representadas, Esch-sur-Alzette assume a diversidade como traço identitário, num percurso de reinvenção iniciado após o declínio da indústria siderúrgica.
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Quarta-feira, Maio 13


