Onze concertos de fado e de música luxemburguesa espalham-se este sábado por cafés e pela praça principal de Larochette, num roteiro a pé que se percorre de porta em porta, do meio-dia à noite. É a terceira edição do Rali do Fado e Canções e o apelo da organização não podia ser mais claro: apareçam, tragam a família, apoiem o evento.
A previsão de bom tempo para hoje torna o convite ainda mais tentador, e quem chega cedo pode aproveitar para conhecer a aldeia antes de a música começar. Larochette não é só o cenário — é parte do espectáculo. As ruínas do castelo medieval dominam o vale do alto de um esporão rochoso, a igreja e as ruas estreitas de pedra convidam a um passeio, e tudo isto a poucos passos dos palcos improvisados. Um dia inteiro, portanto, para quem quiser fazer dele um programa completo.
O público anda à vontade entre actuações intimistas, cada uma com o seu ambiente, todas à distância de uma curta caminhada. Este ano sobem a palco sete grupos de fado tradicional, quase todos vindos de Portugal. Mas há novidade. Pela primeira vez, o cartaz abre-se a quatro nomes maiores da cena luxemburguesa — entre eles Josh Island e Serge Tonnar —, em versões exclusivamente acústicas.
O programa corre de hora a hora. A abertura, foi ao meio-dia com os luxemburgueses D’Halunken, na Place Bleech. Às 13h00, a equatoriana Maria Tejada leva o Café Marinho, com um fado cantado em espanhol que não trai o género. Segue-se, às 14h00, a fadista Paula Oliveira, radicada no Luxemburgo, no Café du Château. Às 15h00, a cantautora Irina Holzinger regressa à Place Bleech. O português Márcio Mendes actua às 16h00 no Café de la Place, e às 17h00 é a vez de Lúcia Araújo, nascida em Aveiro e radicada em Paris, no Café Fielserstuff. Às 18h00, Josh Island sobe à Place Bleech. Joana de Deus canta às 19h00 no Café Europe, e às 20h00 Juliana Duarte regressa à grande praça. O Serge Tonnar Trio actua às 21h00, também na Place Bleech, a abrir caminho para o momento maior da noite.
Esse ponto alto guarda-se para as 22h00. Na Place Bleech, canta Ana Laíns, uma das vozes internacionais mais reconhecidas do chamado Novo Fado, artista com mais de 25 anos de carreira e presença habitual nos palcos do mundo. As guitarras da jornada ficam a cargo de Miguel Braga, na portuguesa, e de Joaquim Caniço, na viola de fado.
O programa não se esgota nos palcos. Na praça principal servem-se pratos da cozinha portuguesa, montam-se stands interculturais dedicados às raízes de Portugal e abre uma exposição fotográfica de Paulo Lobo, patente entre as 12h00 e as 22h00. A associação Pessoa leva ainda uma banca de livros em língua portuguesa, com autores lusófonos.
A entrada é gratuita. Mas os lugares nos cafés são poucos e enchem depressa — por isso, o conselho é chegar cedo. Como o estacionamento no centro escasseia, funciona um sistema de Park & Ride a partir do parque Filano (Um Birkelt), com autocarros de ligação a cada quinze minutos, entre as 11h30 e as 23h30, ao longo dos dois quilómetros que separam o parque do recinto. Há lugares suplementares junto ao Camping Hu Village e uma segunda carreira, organizada pela comuna, a garantir a ligação aos habitantes de Ernzen.
À frente da iniciativa está a associação Lovers of the Universe. Em entrevista ao Letzebuerg Hoje, o mentor do projecto, Daniel Terrão, resumiu aquilo que o move: «A ideia é juntar as duas comunidades, fazer um projecto conjunto para optimizar as relações intercomunitárias.» As primeiras edições atraíram entre 500 e 600 pessoas. Para esta edição, a meta é aproximar-se do milhar — e de um equilíbrio entre público português e luxemburguês. Com sol lá fora, música em cada esquina e a aldeia inteira à disposição, resta o mais importante: aparecer.



