O mar e as gentes da costa portuguesa deram o tom a mais uma edição das Marchas de São João, que ao longo deste fim-de-semana transformam a Praça da Câmara Municipal de Esch-sur-Alzette num grande palco de tradição popular. Sob o tema «As varinas e os pescadores», a celebração — que assinala 34 anos de presença da cultura portuguesa em solo luxemburguês — arrancou hoje, 27 de junho, perante uma praça repleta, com longas filas junto às bancas de comida, muita animação e o calor de verão a marcar um primeiro dia de festa onde o Letzebuerg Hoje marcou presença. O programa cruza marchas, música do mundo e gastronomia, integrando-se no festival «Sete Sóis Sete Luas», iniciativa de pendor intercultural que junta tradições portuguesas a intérpretes de vários países e cuja animação musical, nos dois dias, fica entregue à Banda Compacto.
A marcha que dá nome ao certame nasce de uma inspiração ligada ao mar, traduzida em trajes nas cores azul, branca e amarela e em oito arcos decorados com fotografias, redes, feixes e um pequeno barco — o dobro do número inicialmente previsto. Cerca de 32 figurantes integraram o cortejo, coreografado pelas jovens ensaiadoras Liza Ferreira e Lara Cavaleiro. Em entrevista ao Letzebuerg Hoje, Liza Ferreira sublinhou a forte adesão de jovens nesta edição e a diversidade do grupo, que reúne várias gerações e nacionalidades, incluindo membros de origem brasileira e jovens de ascendência portuguesa nascidos no Japão. Com 46 anos de história, a associação vê no entusiasmo da nova geração a garantia da continuidade de um projecto cultural com raízes profundas na comunidade, num movimento de regresso às tradições que, segundo a direcção, tem atraído cada vez mais jovens ao rancho. Também em declarações ao Letzebuerg Hoje, o presidente do Rancho Folclórico Províncias de Portugal, Manuel Cavaleiro, prometeu um fim-de-semana de animação intensa e apelou à presença do público.

O cartaz do primeiro dia abriu às 14 horas, com a inauguração oficial das festividades e dos espaços de restauração, seguindo-se, às 16 horas, a actuação da brasileira Jessica Arpin no espectáculo «Kalabazi», integrado no festival «Sete Sóis Sete Luas». Ao fim da tarde, o programa contou ainda com o espectáculo Braziliandance, pelas 17 horas, e com a recepção oficial na Câmara Municipal, às 17h30. O ponto alto da noite chegou às 19 horas, com um concerto do grupo português Galandum Galundaina e do músico José Barros, antes do grande desfile das Marchas de São João pela Rue de l’Alzette, às 19h30, com a participação dos grupos folclóricos portugueses do Luxemburgo. A jornada prolongou-se ainda por uma noite popular animada pela Banda Compacto, a partir das 23 horas.
Para domingo, 28 de junho, o recinto festivo e a restauração tradicional abrem às 10 horas, num dia que volta a alternar dança, música e cultura. À tarde, sucedem-se a Zumba Los Amigos, às 13h30, novamente Jessica Arpin, às 14h30, e, às 15 horas, um dos momentos de maior densidade cultural do certame: a apresentação do livro «O Albergue Espanhol», do escritor, jurista e antigo Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, obra que conta já com tradução italiana ligada ao próprio festival. Seguem-se a Zumba No Limit, às 15h40, o grupo de rusgas Os Nortenhos Alegres, às 16h30, e o encontro entre o português José Barros e o italiano Mimmo Epifani, às 17h30, antes de o encerramento ficar a cargo do concerto da cantora Adriana Lua, cabeça de cartaz, pelas 18h30, com as festividades a prolongarem-se até às 22 horas.
Ao longo dos dois dias, a oferta gastronómica é vasta — porco no espeto, costeletas, salsicha, bifanas, batatas fritas, caldo verde e a indispensável sardinha —, assegurada por uma equipa de cerca de 80 pessoas. Concluídas as marchas, o grupo prepara ainda uma última actuação em meados de julho, antes da habitual pausa de verão, retomando a actividade em setembro com novos compromissos, entre os quais actuações regulares em centros de idosos que procuram aproximar a tradição portuguesa dos mais velhos. O convite, deixado em entrevista ao Letzebuerg Hoje, é claro: depois de um primeiro dia de praça cheia, Esch-sur-Alzette volta neste domingo a vestir-se de cultura portuguesa para receber uma das mais emblemáticas celebrações dos Santos Populares no Grão-Ducado — uma festa que ainda promete muito por viver.


