A capacitação de 58 Agentes Polivalentes Elementares (APE) em cuidados básicos de saúde está a decorrer na cidade de Nampula, em Moçambique, com o objectivo de responder à procura de serviços primários nas comunidades antes que os pacientes tenham de se deslocar às unidades sanitárias. A iniciativa, promovida pelo Instituto de Ciências de Saúde (ICS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), é financiada com fundos do Banco Mundial e deverá abranger todos os 23 distritos da província, segundo noticiou o jornal IKWELI.
Com a duração de seis meses, a formação visa dotar os agentes de técnicas que permitam igualmente reduzir a desinformação sobre problemas de saúde nas comunidades, explicou Fernando Henriques, formador do ICS de Nampula e um dos responsáveis pelo processo. Sem avançar os montantes envolvidos, o formador sublinhou que os trabalhos decorrem com normalidade, destacando a boa participação dos formandos ao fim de três meses de capacitação.
Entre os participantes, os testemunhos reflectem o impacto esperado nas respectivas comunidades. Rildo António Silvano, do distrito de Ribáuè, comunidade de Nacarrauani, considerou que todos os módulos são relevantes e afirmou esperar ajudar a sua comunidade com o que aprendeu. Angelina Verónica Favorito, do distrito de Meconta, reconheceu as dificuldades de ser mulher num grupo maioritariamente masculino, mas garantiu que pretende usar os conhecimentos adquiridos para encorajar outras mulheres a não desistir, notando que este tipo de formação, antes reservado aos homens, está hoje aberto a todos.
Também de Meconta, Sérgio Massuco descreveu a experiência como única e manifestou a vontade de servir a população da sua aldeia, que não dispõe de centro de saúde, destacando a violência doméstica como o tema que mais o marcou. De acordo com a organização, citada pelo IKWELI, os 58 agentes em formação estão divididos em três turmas, sendo 47 homens e 11 mulheres, um passo relevante para a inclusão das mulheres no sector da saúde comunitária.


