A acessibilidade digital à língua luxemburguesa deu um passo concreto com a disponibilização gratuita de duas novas vozes sintéticas — uma feminina e outra masculina — capazes de ler textos em luxemburguês em ecrã, nos sistemas operativos Windows, macOS, Android e iOS. A iniciativa, anunciada pelo Governo do Luxemburgo, representa um avanço significativo tanto na promoção da língua nacional como na inclusão digital de pessoas com deficiência visual.
Denominadas “Mia” e “Mil”, as novas vozes foram concebidas prioritariamente para beneficiar pessoas cegas ou com baixa visão, que dependem de leitores de ecrã para interagir com computadores e dispositivos móveis. A sua utilidade estende-se, no entanto, a qualquer utilizador que pretenda ouvir conteúdos escritos em luxemburguês. Uma característica técnica relevante é a capacidade das vozes reproduzirem igualmente palavras ou expressões em francês, frequentes em textos redigidos em luxemburguês. As vozes estão disponíveis através da aplicação RHVoice e são compatíveis com os principais leitores de ecrã: o VoiceOver nos sistemas Apple, o TalkBack no Android, e o NVDA ou JAWS em Windows.
O projecto foi financiado pelo Ministério da Digitalização e desenvolvido durante o segundo semestre de 2025, no âmbito da iniciativa Tech-in-gov. A sua concretização resultou de uma colaboração entre o Serviço de Informação e Imprensa (SIP), o Zenter fir d’Lëtzebuerger Sprooch (ZLS) — que assegurou elementos centrais da síntese vocal e apoio técnico em matéria de prosódia, gramática e léxico — e o Centro para o Desenvolvimento das Competências Relativas à Visão (CDV), cujos utilizadores realizaram os primeiros testes e forneceram inúmeras sugestões correctivas. A implementação técnica ficou a cargo da empresa LouderPages, especialista na área e colaboradora do projecto RHVoice.
Lançadas inicialmente em fase de testes beta, as vozes beneficiaram de uma campanha de recolha de contribuições junto do público, durante a qual os utilizadores foram convidados a reportar dificuldades de instalação, palavras mal pronunciadas e problemas com números, abreviaturas ou caracteres especiais. Com base nesse retorno, o SIP foi publicando mensalmente versões actualizadas da aplicação com as correcções incorporadas. O código fonte foi disponibilizado em regime de open source, possibilitando a sua reutilização por outros programadores, e guias de instalação em luxemburguês, francês, inglês e alemão estão acessíveis para cada uma das plataformas suportadas no portal do Governo do Luxemburgo.


