A competitividade da União Europeia, a autonomia estratégica e a resiliência económica e social dos seus Estados-membros estão no centro do pacote de primavera 2026 do Semestre Europeu, adoptado pela Comissão Europeia num contexto de acentuada incerteza geopolítica. O documento estabelece orientações políticas destinadas a reforçar a coesão interna da UE sem comprometer a sustentabilidade orçamental dos países membros.
No âmbito deste ciclo, a Comissão publicou relatórios por país que analisam a evolução económica e social de cada Estado-membro e avaliam o grau de implementação das recomendações específicas adoptadas pelo Conselho em 2025. Para o Luxemburgo, as recomendações para 2026 abrangem uma vasta gama de domínios estruturais. De acordo com a Comissão Europeia, o Grão-Ducado deverá garantir a viabilidade a longo prazo do sistema de pensões, aumentar a oferta de habitação e combater o planeamento fiscal agressivo. No plano económico, é instado a estimular o investimento em inovação e em actividades de investigação e desenvolvimento, a diversificar o sector financeiro e a acelerar a digitalização. A Comissão recomenda ainda que o país prossiga os investimentos em transportes sustentáveis e eficientes, reduza a dependência dos combustíveis fósseis e reforce a resiliência climática e dos recursos hídricos. No domínio social, as orientações apontam para a necessidade de melhorar o desempenho do sistema de ensino, assegurar a igualdade de oportunidades na escola e corrigir as inadequações entre as competências da força de trabalho e as necessidades do mercado.
A vigilância orçamental constitui outro eixo central do pacote de primavera. A Comissão avaliou o cumprimento do quadro orçamental da UE pelos Estados-membros relativamente aos anos de 2025 e 2026, incidindo principalmente sobre o crescimento das despesas líquidas e tendo em conta a flexibilidade prevista pela cláusula de salvaguarda nacional aplicável às despesas de defesa. Numa novidade relevante, os países que adoptarem medidas para reforçar a segurança energética europeia e acelerar a transição para fora dos combustíveis fósseis poderão solicitar flexibilidade orçamental adicional ao abrigo dessa mesma cláusula. Para o período de 2026 a 2028, ficou estabelecido um limite anual dedicado de 0,3% do PIB e um limite cumulado de 0,6% do PIB especificamente para medidas de resiliência energética, dentro do tecto global de 1,5% do PIB já existente para despesas de defesa.
A Comissão Europeia convidou o Eurogrupo e o Conselho a debater o pacote e a adoptar as orientações apresentadas, mantendo em paralelo o diálogo com o Parlamento Europeu sobre cada etapa do ciclo de coordenação económica. O Semestre Europeu, recorda o executivo comunitário, é um exercício anual que coordena as políticas económicas e sociais da UE, promovendo o crescimento sustentável, a criação de emprego, a estabilidade macroeconómica e a saúde das finanças públicas em toda a União.


