Uma paisagem transformada pela ameaça ambiental, onde a terra ganha progressivamente a aparência de um território lunar, está no centro de “Touch the sky”, a nova exposição individual de Tung-Wen Margue, vai estar patente na galeria Nosbaum Reding, no Luxemburgo, entre 7 de Outubro e 7 de Novembro. A inauguração realiza-se na quarta-feira, 7 de Outubro, às 18h00, com a presença do artista. A mostra apresenta a série “Moonshake”, uma nova etapa no trabalho do pintor e uma continuação das preocupações já presentes em “A Scenography for the End of Time”: um planeta ameaçado por uma devastação tão profunda que as paisagens parecem perder a identidade que conhecemos. Segundo a Nosbaum Reding, ficam as rochas primordiais, carregando a memória da água, dos sedimentos e das sucessivas camadas de terras antigas.
Nascido no Luxemburgo em 1959, Tung-Wen Margue tem raízes chinesas e luxemburguesas e construiu um percurso artístico marcado pelo contacto entre diferentes culturas e territórios. Estudou nas Belas-Artes de Nancy, prosseguiu a formação na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts de Paris e estudou artes plásticas na Universidade Panthéon-Sorbonne, Paris I. A ligação à China, primeiro através das origens familiares e depois por viagens e estadias no país, tornou-se uma presença recorrente na sua obra. Ao longo de várias décadas, o artista apresentou trabalhos no Luxemburgo e no estrangeiro, desenvolvendo uma linguagem na qual a pintura, a matéria, a paisagem, a memória e a identidade se cruzam.
Em “Moonshake”, a natureza surge simultaneamente familiar e estranha. Terra, pedra e minerais explodem em cores intensas, inspiradas nos mármores dos Pirenéus característicos da região de Couserans, onde Margue mantém uma forte ligação ao território. Entre as obras deste ciclo encontra-se “Menace”, criada em 2026 em técnica mista e com 82 por 100 centímetros. A exposição não procura tornar fascinante a destruição. Pelo contrário, confronta o visitante com a fragilidade do presente, alternando entre uma visão lúcida do mundo e uma dimensão quase onírica. O filósofo Dominique Bourg, no texto “A Scenography for the End of Time”, associa esta abordagem à capacidade do artista de dar voz e forma ao sofrimento dos elementos.
A exposição “Touch the sky” pode ser visitada na Nosbaum Reding, no Luxemburgo, até 7 de Novembro. É mais um capítulo num percurso em que Tung-Wen Margue trabalha a superfície pictórica como um território de sucessivas camadas, onde a natureza deixa de ser apenas cenário. Montanhas, rios, rochas e céu transformam-se em vestígios de um mundo vulnerável, enquanto a pintura conserva a memória daquilo que existiu e daquilo que poderá desaparecer.



