STEMM ajuda mais de mil pessoas por dia
Trinta anos de história e uma realidade cada vez mais exigente: a precariedade social no Luxemburgo cresce em volume e complexidade, e a STEMM — conhecida em português como Voz da Rua — está no centro dessa resposta. O que começou como uma pequena iniciativa num canto de Bonvois tornou-se hoje uma das maiores estruturas de apoio social do país, servindo diariamente mais de mil refeições através dos seus três restaurantes sociais e oferecendo serviços que vão muito além da alimentação.
Em entrevista ao Letzebuerg Hoje, dois beneficiários que trabalham actualmente na associação como trabalhadores de utilidade colectiva — identificados pelo mítico tuque que distingue quem integra esses programas — descreveram o funcionamento da instituição e o impacto que ela tem nas suas próprias vidas. António, que chegou à STEMM após ter sofrido assédio moral e agressões repetidas por parte de uma entidade patronal, ao ponto de ter tido um burn-out e sido proibido pela equipa do CHL de regressar ao mesmo posto de trabalho, encontrou na associação uma forma de reconstruir uma rotina profissional e social. José, espanhol de formação como educador e com experiência no trabalho social, chegou através da ADEM no âmbito de um processo de reinserção, e trabalha actualmente na redacção da revista bimestral da associação, uma publicação que aborda problemáticas como a droga, a habitação, a imigração e a violência.
Os números da STEMM falam por si. Só no ano passado, a associação serviu mais de 180 mil refeições e distribuiu cerca de 250 toneladas de alimentos. O orçamento anual, gerido em parceria com o Ministério da Família, ronda os 35 milhões de euros, complementado por donativos particulares que vão de cinco euros a contribuições mais significativas — como a de um antigo proprietário de um dos edifícios que cedeu, antes de falecer, uma doação de 100 mil euros e isentou a associação do pagamento de renda durante dez anos. Para além dos restaurantes sociais na cidade do Luxemburgo, Esch e Ettelbruck, a STEMM dispõe de duches, vestiário, consultas médicas às quartas-feiras com distribuição gratuita de medicamentos, serviço de assistência social, cabeleireiro, veterinário e apartamentos de apoio em Moutfort. Recentemente, foi inaugurado um bistrô social junto ao norte da capital, onde qualquer pessoa pode tomar um café, consultar o computador ou elaborar um currículo com o apoio de duas educadoras. A associação conta ainda com a Canastemm, uma unidade dedicada à infância e às famílias, com assistentes sociais e psicólogas que acompanham famílias em dificuldade, grávidas e crianças nos hospitais e no terreno.
Um dos aspectos salientados na entrevista foi o aumento da diversidade dos perfis de quem recorre à STEMM. Se há trinta anos a associação respondia sobretudo a sem-abrigos, hoje atende também pessoas com emprego, mas cujo salário não chega ao fim do mês, refugiados de guerras civis e, de forma crescente, crianças — algo que, segundo António, não era visível até há dois anos. A instituição apela a donativos — monetários, alimentares, de roupa, medicamentos, mobiliário ou tempo voluntário — e alerta para a existência de burlas perpetradas por indivíduos que se fazem passar por membros da STEMM. Quem pretender verificar a identidade de alguém que se apresente em nome da associação pode contactar directamente a sede: todos os membros estão identificados por nome e pelo logótipo da STEMM na fardamento e nas viaturas. Informações sobre serviços e donativos estão disponíveis no sítio da internet da associação, incluindo o IBAN para transferências bancárias.


