Um cartão digital passa a acompanhar cada doente que procura tratamento no maior hospital de Timor-Leste, substituindo o registo manual usado durante anos e prometendo um atendimento mais célere e maior protecção dos dados clínicos. O objectivo, segundo o The Dili Weekly, é modernizar os serviços de saúde, elevar a eficiência do atendimento e facilitar a comunicação entre os profissionais.
O director executivo do Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV), Nuno Vital Soares, explicou, num evento em Díli, que os doentes inscritos deixam de depender do antigo processo em papel. «Agora, os doentes que fazem o registo recebem o cartão digital e já não precisam do registo manual como antes. Este sistema ajuda a organizar melhor a informação e torna o atendimento mais ágil», afirmou. A confidencialidade, garantiu, sai reforçada. «Não verei os vossos dados no arquivo. Quando um doente chega, não sei de que padece, pois só o próprio e o médico que o assiste podem saber. É assim que se garante a privacidade e a confiança dos doentes», acrescentou.
A introdução será faseada. Numa primeira etapa, um programa-piloto arranca no próprio HNGV, que funciona como centro de referência nacional; depois da avaliação e dos ajustes necessários, o sistema alarga-se aos hospitais regionais e aos centros de saúde de todos os municípios. Em paralelo, o hospital reforça a formação de médicos, enfermeiros e pessoal técnico para o uso das ferramentas digitais, incluindo os sistemas de informação de saúde e a telemedicina — uma aposta que conta com o apoio da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Entre os doentes, o balanço inicial é positivo. Domingas Amaral, que já experimentou o novo cartão, diz que a espera encurtou. «Já não precisamos de dar o nome tantas vezes. Ao chegar, basta usar o cartão e o processo fica mais rápido», contou. Ainda assim, deixou um aviso: pediu que a reforma não se limite à tecnologia e que assegure a qualidade do serviço e a disponibilidade de recursos, sobretudo de medicamentos. «O pessoal de saúde tem de continuar a prestar bom atendimento. Mesmo com o sistema digital, se não houver medicamentos, pouca coisa muda para nós», sublinhou.


