A proibição de uma reunião política na província de Inhambane agravou as tensões entre as autoridades locais e a Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), levando Venâncio Mondlane a afirmar que o seu partido está numa situação de «quase guerra declarada» com o governo provincial. A denúncia foi feita durante a abertura da primeira convenção nacional extraordinária do Anamola, em Maputo, depois de o administrador de Inhassoro ter recusado um pedido de protecção policial e proibido a realização de um encontro partidário num espaço privado. Segundo o Jornal Tropical, Mondlane acusou as autoridades de utilizarem forças policiais para impedir o exercício de direitos políticos, considerando que estas práticas representam uma tentativa de regresso ao monopartidarismo.
As acusações surgem num contexto de crescente tensão política. Mondlane recordou o assassinato de Elídio Fassitela, ocorrido a 11 de Setembro, um dia depois de uma visita de Daniel Chapo a Zavala, e denunciou a recente tortura do coordenador do Anamola naquela localidade. O dirigente afirmou que as autoridades enviaram forças policiais para impedir uma reunião que o partido pretendia realizar legalmente. «O que o administrador está a fazer hoje são coisas de 1975», declarou, criticando aquilo que considera uma violação das liberdades políticas. Durante a sua intervenção, Mondlane denunciou ainda uma alegada perseguição aos membros do Anamola, afirmando que, no espaço de apenas um ano, foram registados 55 assassinatos. Estas denúncias são apresentadas pelo dirigente partidário, não havendo confirmação independente dos números e das circunstâncias mencionadas na informação divulgada.
Entretanto, mais de 400 delegados participam na primeira convenção nacional extraordinária do Anamola, realizada na capital moçambicana. O encontro tem como principais objectivos a revisão dos estatutos, a definição da ideologia partidária e a adaptação das estruturas internas à nova composição da administração do partido. Eleito presidente do Anamola em Agosto de 2026, na província de Nampula, Venâncio Mondlane considera que esta convenção representa um momento decisivo para a formação política. O antigo candidato às eleições presidenciais de 2024 reafirmou o compromisso de combater as injustiças, defender a independência efectiva de Moçambique e promover mudanças no sistema judicial. Para o dirigente, a actividade política do partido decorre num período particularmente sensível, marcado por aquilo que descreve como uma perseguição sem precedentes.
A situação judicial de Venâncio Mondlane constitui outro elemento de pressão sobre o seu percurso político. O Tribunal Supremo marcou para 17 de Novembro o início do julgamento relacionado com os protestos que se seguiram às eleições gerais de 9 de Outubro de 2024. O Ministério Público imputou-lhe vários crimes, entre os quais apologia ao crime e incitamento à desobediência. O processo decorre num ambiente de forte contestação política, enquanto o Anamola procura consolidar a sua organização e presença nacional. As informações divulgadas pelo Jornal Tropical colocam novamente em destaque as tensões entre a oposição e as autoridades moçambicanas, particularmente no que respeita à liberdade de reunião, à actuação policial e ao exercício dos direitos políticos.



