A criação de livros escritos e ilustrados por crianças tornou-se uma ferramenta de incentivo à leitura, à criatividade e à valorização da memória comunitária no município de Piên, no Brasil. A iniciativa, desenvolvida pela professora Silvia Jaqueline no âmbito do projecto «Teia de Histórias», permitiu que alunos do ensino básico participassem em todas as etapas da produção literária, desde a escrita até à publicação das suas próprias obras. Segundo a Gazeta do Povo, o trabalho integrou o programa Ler e Pensar e procurou aproximar a literatura das experiências pessoais dos estudantes, envolvendo também as famílias e a comunidade escolar.
As actividades começaram com leituras de diferentes obras, incluindo «A História do Bolinho», de Tatiana Belinky, seguindo-se conversas, jogos de rimas, criação de poemas, trabalhos artísticos e representações teatrais. Cada turma desenvolveu um livro com uma identidade própria. Os alunos do segundo ano produziram «O Almanaque da Nossa Turma», reunindo informações sobre os colegas e os respectivos interesses. Já o terceiro ano criou «Memórias e Encantos de Piên: Nossos Lugares Favoritos», dedicado aos espaços mais apreciados da cidade. Os estudantes do quinto ano deram vida a «Teia de Histórias: Memórias Afetivas», uma obra construída a partir de entrevistas com idosos da comunidade e recordações da vida escolar. O processo incluiu oficinas de escrita, revisão de textos, ilustrações manuais e fotografias, recorrendo ainda à inteligência artificial para planear visualmente as capas. A plataforma Semeando Autores apoiou a preparação dos livros para publicação.
O projecto ultrapassou as paredes da escola. As crianças escreveram cartas e realizaram apresentações para mobilizar parceiros locais, conseguindo obter 150 sacos de tecido destinados ao transporte de livros para casa. Foi igualmente organizada uma campanha de recolha de obras literárias para adultos, com o propósito de enriquecer o acervo escolar e promover hábitos de leitura entre os familiares. A aproximação entre professores e encarregados de educação ganhou força através do «Caderno do Diálogo Positivo», utilizado para trocar mensagens de reconhecimento, e dos «Desafios Saudáveis», que incentivaram actividades em família. Os espaços exteriores da escola também foram revitalizados, com pinturas artísticas e a criação de uma área dedicada ao clube de leitura. A apresentação pública dos trabalhos aconteceu numa Noite de Autógrafos, durante a qual os pequenos escritores mostraram as suas obras a familiares e convidados.
Os resultados foram além da produção dos livros. De acordo com o relato da professora Silvia Jaqueline, divulgado pela Gazeta do Povo, as actividades contribuíram para melhorar a fluência leitora, a expressão escrita e a capacidade dos alunos para distinguir boatos de informações verdadeiras. A experiência reforçou igualmente os laços familiares e o conhecimento da identidade cultural de Piên, dando às memórias dos habitantes mais velhos um lugar especial na aprendizagem das novas gerações. Os materiais pedagógicos «Leitores em Ação» e «Dicas Pedagógicas», do programa Ler e Pensar, tiveram um papel fundamental no planeamento das iniciativas. O trabalho mostrou como a literatura pode transformar-se numa experiência colectiva, permitindo que as crianças deixem de ser apenas leitoras para se tornarem autoras das suas próprias histórias.



