As infra-estruturas digitais que atravessam o trabalho, a comunicação e o consumo ganham nova forma numa mostra de arte contemporânea. Tecnologias digitais, inteligência artificial, mercados financeiros, logística, cultura online, branding e automação surgem aqui não como temas isolados, mas como camadas sobrepostas que moldam, cada vez mais, o modo como vivemos e imaginamos o futuro. Escultura, instalação, pintura, têxteis, néon e técnica mista partilham o mesmo espaço.
« I’m Too Young To Die » é a nova exposição individual de Gilles Pegel, patente na galeria Nosbaum Reding, no coração da capital. A abertura está marcada para esta quinta-feira, às 18h00, na presença do artista, e a mostra pode ser visitada até 17 de outubro. Segundo a galeria, o conjunto é composto sobretudo por produções recentes, embora estabeleça também um diálogo com obras anteriores que continuam a ressoar dentro da mesma paisagem conceptual. Não há aqui uma leitura cronológica. Em vez disso, cruzam-se diferentes momentos de um percurso, revelando fios que se foram desenvolvendo ao longo do tempo.
Cada peça encontra a sua própria linguagem. Esculturas industriais em alumínio convivem com peças de vestuário modificadas, produtos de consumo, objectos domésticos espelhados, instalações de parede, documentos de arquivo e trabalhos que recuperam o vocabulário visual dos videojogos, do software, do branding e da identidade corporativa. O resultado é uma espécie de ecossistema, onde objectos aparentemente sem relação começam a revelar ligações inesperadas. A cultura popular funciona como porta de entrada — referências ao gaming, à moda, à publicidade e à cultura digital —, mas abre-se depois para questões mais amplas sobre autoria, valor, identidade e consumo.
O título não é inocente. « I’m Too Young To Die » retoma o icónico nível de dificuldade do videojogo DOOM, mas aponta para uma condição bem mais universal: a consciência da própria mortalidade. No terreno da prática artística, essa consciência ganha outra ressonância. Cada obra pode ler-se como um marcador, uma tentativa de fixar o sentido de um determinado momento antes que esse entendimento volte a mudar. O humor é, muitas vezes, o primeiro ponto de contacto. Por baixo, porém, fica a tentativa de compreender um presente cada vez mais complexo — e de perceber que lugar ocupamos nele, com a arte a funcionar como âncora temporária.


