Em informação enviada ao Lëtzebuerg Hoje, a associação luxemburguesa SOS Faim deu conta de que o total das suas receitas em 2025 ascendeu a quase 4,75 milhões de euros, num ano que a directora Delphine Dethier caracterizou como o da apropriação e da resiliência. O balanço foi apresentado na Assembleia Geral anual realizada no sábad no espaço Teranga, em Schifflange, com transmissão simultânea para os membros impossibilitados de estar presentes.
Os membros presentes aprovaram o relatório da Assembleia Geral ordinária de Junho de 2025, as contas anuais auditadas pela firma independente BDO, a afectação dos resultados, a quitação aos administradores e o projecto de orçamento para 2026. Das receitas totais de 4 754 338,07 euros, 611 956,34 euros corresponderam a donativos privados, provenientes de 2 125 doadores activos, e 3 918 070,32 euros a subvenções, com destaque para o Acordo-Quadro de cooperação com o Ministério dos Negócios Estrangeiros luxemburguês no valor de 2 772 968 euros. As subvenções representaram 82% das receitas totais, os donativos 13% e os produtos diversos os restantes 5%. Por seu turno, 2 864 607,81 euros foram directamente mobilizados para os parceiros no terreno.
No plano da governação, a Assembleia aprovou a entrada de dois novos membros no Conselho de Administração: Aude Ehlinger-Sedej e Christophe Jacqmin. O órgão directivo fica assim constituído por Céline Depiesse, David Hiez, Chloé Kolb, Bineta Diaw Oosterhaven Ndoye, Aude Ehlinger-Sedej e Christophe Jacqmin.
O relatório de actividades, agora disponível em versão digital integral nas línguas francesa, inglesa e alemã — bem como numa síntese impressa de quatro páginas —, retrata o trabalho desenvolvido ao longo do ano. No domínio da acção internacional, a SOS Faim trabalhou com 30 parceiros em seis países africanos — Benim, Burkina Faso, Etiópia, Mali, Níger e Senegal —, alcançando um impacto estimado em três milhões de pessoas, o que representa um custo por pessoa beneficiada inferior a um euro. Entre os projectos destacados figura a partilha dos ensinamentos do programa AGRI+ sobre financiamento agrícola no Sahel, o apoio à inclusão de jovens e mulheres na agricultura senegalesa através da parceria com a U-IMCEC, e a integração da USCA como novo parceiro no Burkina Faso.
No Luxemburgo, o espaço Teranga consolidou-se como o centro nevrálgico das actividades locais da associação, acolhendo 72 eventos ao longo do ano e contando com oito locatários permanentes. A presença do fundador do movimento Transition Towns, Rob Hopkins, foi um dos momentos mais marcantes do programa. O Festival AlimenTERRE registou 3 500 participantes em 60 sessões de projecção de oito filmes, mobilizando 60 parceiros e gerando 19 referências na imprensa. Ao nível do plaidoyer, a SOS Faim participou activamente na co-construção do Quadro Sectorial Partilhado no âmbito da reforma da Educação para a Cidadania Mundial, um documento estratégico de 20 páginas que orienta a acção do sector até 2035.


