A investigação judicial em torno da tentativa de golpe de Estado de 25 de Outubro de 2025, na Guiné-Bissau, chegou a um dos seus momentos mais significativos com o interrogatório do líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, pela Promotoria da Justiça guineense.
As autoridades alegam que Simões Pereira poderá ter prestado apoio material, financeiro e logístico aos autores da tentativa de subversão da ordem constitucional, incluindo o financiamento necessário para a sua execução. Os elementos recolhidos no âmbito da investigação apontam ainda para a eventual utilização da sua residência como local de encontros e reuniões relacionados com o putsch, de acordo com a notificação do tribunal. Esta não foi a sua primeira intervenção no processo: numa audiência anterior, realizada em Fevereiro, o político tinha sido ouvido na qualidade de declarante.
O advogado de defesa, Roberto Indeque, declarou à imprensa que a audiência, que se prolongou por mais de três horas, decorreu sem incidentes. Indeque afirmou categoricamente que o seu cliente esclareceu todas as dúvidas colocadas e sublinhou que Simões Pereira não esteve, em circunstância alguma, envolvido em qualquer tentativa de alteração da ordem constitucional. Após o interrogatório, o líder do PAIGC regressou a casa acompanhado por membros e apoiantes do partido.
Simões Pereira encontra-se sob termo de identidade e residência, medida aplicada na sequência da sua detenção no ano anterior. Segundo a defesa, não foi imposta, até ao momento, qualquer outra medida de coacção ao presidente eleito do parlamento guineense.


