Na região de Eifel, as sebes de bétula resistem a tempestades, invernos rigorosos e até mesmo às modas estranhas que vão surgindo. Estas sebes, que há séculos protegem as casas, são uma solução simples, mas engenhosa. Actualmente, no interior de Steckenborn, uma aldeia com cerca de mil e seiscentos habitantes situada nas encostas do Rursee, é possível observar paredes de até dez metros de altura que se transformam de um vermelho quente para um verde luminoso com a chegada da primavera.
De acordo com o jornal alemão, a “Frankfurter Allgemeine Zeitung”, durante uma visita ao local, nota-se a ligação forte de Peter Stollenwerk, um dos residentes mais antigos, à paisagem que o rodeia. Este homem, que se criou numa casa de madeira datada de 1750, expressa o seu amor pela região através de milhares de fotografias e livros meticulosamente pesquisados sobre a sua terra natal, que se assemelha à beleza rústica do norte de França e de Inglaterra.
As sebes, conhecidas como “Viehhecken”, têm uma longa história na Eifel, estabelecidas pelos habitantes locais desde o século XVII como uma forma de cercar terrenos para gado. Após cerca de seis anos de crescimento, os ramos eram entrelaçados e reforçados com troncos que conferiam maior estabilidade às sebes. Essa prática, que incluía podas regulares duas vezes por ano, permitia que os arbustos se tornassem cada vez mais densos.
Embora a proteção tradicional das sebes tenha evoluído ao longo do tempo, com a introdução de arame farpado para reforço, o pragmatismo típico da região, como destaca Stollenwerk, mantém-se intacto. Ele, que dedicou mais de quarenta anos da sua vida ao jornalismo, utiliza a fotografia de paisagens como uma forma de arte, mostrando a beleza austera da vida rural e apresentando formas de crescimento dos arbustos que nos remetem a nuvens e figuras míticas.


