A actividade comercial de venda de cocos e milho numa das zonas turísticas mais emblemáticas de Timor-Leste passa a estar sujeita a regras mais apertadas, no quadro de um esforço para garantir a ordem urbana, a limpeza ambiental e a preservação do valor turístico do Cristo Rei, em Díli. O Secretariado de Estado para a Toponímia e Organização Urbana (SEATOU) começou a intensificar as medidas destinadas a organizar e enquadrar legalmente estes vendedores, justificando a iniciativa com a necessidade de proteger a imagem de um local considerado um símbolo importante do país e um destino de referência para visitantes nacionais e internacionais. «O Cristo Rei deve manter-se como um local turístico limpo, organizado e seguro», afirmou o Secretário de Estado, Germano Santa Brites, sublinhando que o objectivo é defender a imagem do espaço e o conforto de quem o visita.
Uma avaliação realizada no terreno identificou que esta actividade tem contribuído para diversos problemas, entre os quais a acumulação de lixo, o fumo e a ocupação desordenada de espaços públicos, segundo declarações citadas pelo jornal The Dili Weekly. Santa Brites fez questão de esclarecer que a medida não pretende encerrar oportunidades económicas, mas sim reorganizar o exercício da venda em locais adequados e legais. Para esse efeito, o governo timorense já preparou uma área alternativa, incluindo a rotunda situada nas imediações da residência do Presidente da República, de forma a acomodar os comerciantes que pretendam dar continuidade aos seus negócios num espaço devidamente preparado.
Apesar de a aplicação das medidas ter arrancado através de acções de sensibilização e de orientação no local, as autoridades constataram que alguns vendedores continuam a desrespeitar as regras e a comercializar produtos de forma ilegal, tanto no Cristo Rei como noutros espaços públicos. O SEATOU garantiu que prosseguirá com inspecções regulares e rigorosas, em articulação com as entidades competentes, para assegurar a efectiva implementação do que ficou estabelecido, admitindo ainda a aplicação de sanções administrativas a quem persista no incumprimento. «Aplicaremos a lei de forma rigorosa», advertiu Santa Brites, acrescentando que os infractores enfrentarão consequências de acordo com a legislação em vigor.
Do lado dos comerciantes, a perspectiva é de apreensão face ao impacto directo sobre o rendimento diário das famílias. Armando do Rosário, vendedor na zona do Cristo Rei, reconheceu a intenção do governo de organizar e melhorar a cidade, mas alertou para a dificuldade que a mudança representa para quem depende daquele ponto de venda para se sustentar. O comerciante defendeu que não existe oposição às medidas, desde que haja diálogo e uma solução equilibrada que tenha em conta os interesses de ambas as partes, salientando que o local alternativo deverá conseguir atrair clientes em condições semelhantes às do Cristo Rei. Pediu igualmente um período de adaptação antes da entrada em vigor de medidas mais severas, de modo a permitir aos vendedores prepararem-se e procurarem outras fontes de rendimento.


