A detecção de inconsistências estatísticas no Índice de Produção Industrial (IPI) levou à alteração da metodologia utilizada para medir a actividade da indústria transformadora em Angola, provocando divergências entre o Instituto Nacional de Estatística (INE) e o Ministério da Indústria e Comércio. A decisão surge depois de uma reavaliação dos dados ter identificado alterações significativas no comportamento e na variabilidade da série temporal do indicador, colocando em causa a consistência dos resultados obtidos através do método anteriormente adoptado.
Desde Julho de 2025, o INE tinha passado a utilizar dados administrativos provenientes do sector industrial como base para o cálculo da secção C do índice, correspondente à Indústria Transformadora. A mudança pretendia assegurar a produção das estatísticas industriais através de informação já disponível nos serviços administrativos. Contudo, uma nova verificação revelou diferenças suficientemente relevantes para justificar o abandono dessa metodologia. Segundo uma nota do INE, citada pelo jornal Expansão, a revisão procura melhorar a consistência estatística e assegurar que o indicador acompanha de forma mais adequada as oscilações da produção industrial angolana.
O cálculo do IPI da Indústria Transformadora voltará, assim, a depender integralmente da recolha directa de informação junto de uma amostra de 183 unidades industriais, incluindo empresas e estabelecimentos considerados fundamentais na cadeia produtiva. O objectivo é obter dados mais consistentes e representativos da evolução do sector. Esta alteração assume particular relevância para o acompanhamento da economia angolana, uma vez que o Índice de Produção Industrial permite observar as variações da actividade produtiva e constitui uma referência para a análise do desempenho da indústria.
A decisão acabou por expor dificuldades de articulação institucional. Poucos dias depois do anúncio do INE, o Ministério da Indústria e Comércio divulgou um comunicado sobre a situação, dando sinais de ter sido surpreendido pelas alterações introduzidas no cálculo do indicador. De acordo com o jornal Expansão, as inconsistências estatísticas estiveram na origem das divergências entre as duas entidades. O episódio coloca em evidência a necessidade de assegurar a fiabilidade dos dados oficiais e uma articulação eficaz entre os organismos responsáveis pela produção e utilização das estatísticas económicas em Angola.



