Quem chega hoje paga o dobro de quem já cá está
Quem arrenda casa no Luxemburgo há muitos anos paga, em média, quase metade do que pagaria se assinasse um contrato hoje. É esta a conclusão mais marcante do primeiro grande estudo sobre rendas efectivamente praticadas no país, realizado pelo Observatório da Habitação do Ministério do Alojamento. A diferença entre o que os inquilinos já instalados pagam e o que é pedido a quem procura casa hoje chega a 84% — um fosso que existe em todo o território e que tem consequências directas na vida de quem precisa de mudar de habitação.
O estudo foi feito em outubro e novembro de 2025 e envolveu cerca de 28 000 proprietários com mais de um imóvel. Quase 5 800 responderam, o que permitiu reunir uma base de dados inédita sobre o mercado de arrendamento luxemburguês. A grande maioria dos alojamentos analisados são apartamentos, e a maior parte tem uma renda mensal entre 1 000 e 1 750 euros. Mas os números variam muito consoante a zona do país, o tamanho da casa e a sua eficiência energética. Na cidade do Luxemburgo, as rendas são as mais altas: em média, 25,56 euros por metro quadrado. No norte e no leste do país, esse valor pode cair para menos de 14 euros por metro quadrado — ou seja, quase metade. Quanto mais pequena for a habitação, mais cara fica proporcionalmente: um apartamento com menos de 50 m² custa em média o dobro por metro quadrado do que um com mais de 130 m². As casas com melhor classificação energética também têm rendas entre 35% e 40% mais elevadas do que as menos eficientes.
O factor que mais pesa nas diferenças de renda é, no entanto, a data em que o inquilino entrou para a casa. Quem assinou contrato antes de 2010 paga hoje uma renda mediana de 14 euros por metro quadrado. Quem assinou em 2024 ou 2025 paga 24 euros — e quem procura casa agora no mercado livre depara-se com pedidos de 39,66 euros por metro quadrado. Isto significa que dois vizinhos no mesmo bairro, ou até no mesmo prédio, podem pagar rendas completamente diferentes apenas porque um chegou há mais tempo. Na cidade do Luxemburgo, essa diferença é ainda mais gritante: os contratos mais antigos rondam os 16,62 euros por metro quadrado, enquanto os mais recentes chegam aos 30 euros.
Esta realidade tem consequências práticas e sérias. Quem vive há anos na mesma casa beneficia de uma renda mais baixa, mas fica “preso” — porque sair significa procurar casa a preços muito mais altos. Ao mesmo tempo, quem chega agora ao mercado enfrenta rendas que, segundo o Observatório da Habitação, continuam a subir rapidamente. O próximo relatório do Observatório será dedicado à criação de uma tabela de referência de rendas, com base nos valores reais observados neste estudo, que sirva de orientação tanto para inquilinos como para senhorios.


