A melhoria das condições de vida no bairro de Enterramento depende, em larga medida, do reforço da participação da comunidade e do apoio das autoridades na execução de projectos sociais e de infra-estruturas. Quem o afirma é Patrício Djata, presidente da Associação dos Moradores e Amigos de Enterramento (AJOMAE), em entrevista à ANG, onde traçou o retrato dos principais desafios que os moradores enfrentam no dia-a-dia.
A associação não tem estado parada. Djata destacou as acções de saneamento básico e de limpeza comunitária levadas a cabo em parceria com os projectos Homem Novo e «Sangui Nobo», da SOS. A aposta estende-se à formação técnico-profissional de jovens, em domínios como a canalização e a culinária. Alguns formandos já concluíram os cursos e encontram-se em estágio profissional.
As estradas são outra ferida aberta. O responsável alertou para o mau estado das vias, sobretudo na época das chuvas, quando a circulação se torna penosa. Para atenuar o problema, a associação retira a areia que se acumula na estrada depois das chuvadas, vendendo-a para adquirir aterro e reabilitar os acessos.
Falta ainda um mercado condigno. Embora a comunidade tenha conseguido, desde 2022, um espaço para a sua construção, a escassez de financiamento tem travado o avanço da obra. O resultado sente-se sobretudo entre as mulheres, obrigadas a deslocar-se a mercados distantes e expostas a riscos de segurança nas primeiras horas da manhã.
No plano da segurança e da educação, o quadro repete-se. Djata lamenta que o bairro continue sem esquadra policial e sem qualquer escola pública que cubra do ensino básico ao secundário. A ausência de um terreno para erguer um estabelecimento de ensino terá custado caro: um projecto financiado pelo Japão acabou por ser transferido para o bairro de São Paulo.
O dirigente reconhece que a resposta dos próprios moradores fica aquém do desejado, apesar dos esforços para promover a formação e o associativismo. «Uma comunidade mais mobilizada poderá contribuir de forma decisiva para o desenvolvimento do bairro e do país», sustentou. As críticas apontam também à Câmara Municipal de Bissau: a falta de contentores e de meios de recolha de lixo, disse, desmotiva as campanhas de limpeza organizadas pelos residentes.
Criada há vários anos, a associação começou por chamar-se «Bina Ba Fun» e passou depois a Associação dos Filhos e Moradores do Bairro de Enterramento (AFAMBE). Foi já no período posterior à guerra civil de 7 de Junho de 1998 que adoptou a designação actual.


