Timor-Leste marcou presença na 38.ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), realizada entre 20 e 24 de Abril de 2026, em Bandar Seri Begawan, no Brunei Darussalam, com uma intervenção centrada nas prioridades estratégicas do país para a transformação dos seus sistemas agroalimentares e no reforço do compromisso com a segurança alimentar.
O ministro da Agricultura, Pecuária, Pescas e Florestas, Marco da Cruz, que chefiou a delegação timorense, sublinhou que a agricultura constitui a base da economia do país e apresentou um conjunto de prioridades que passam pelo fortalecimento da resiliência climática, pela promoção da nutrição e da sustentabilidade, e pela melhoria do acesso aos mercados. Entre as medidas concretas defendidas, destacaram-se o investimento em culturas resistentes às alterações do clima, a gestão eficiente dos recursos hídricos através de barragens e sistemas de irrigação, e a aposta na agricultura biológica, bem como o reforço das infra-estruturas rurais para facilitar o escoamento da produção e reduzir as perdas pós-colheita.
O ministro alertou ainda para os constrangimentos estruturais que limitam o desenvolvimento do sector, nomeadamente as carências financeiras e técnicas, apelando ao apoio da comunidade internacional, à transferência de tecnologia e à criação de mecanismos de financiamento inovadores capazes de acelerar a modernização agrícola timorense.
No âmbito da mesa redonda ministerial dedicada à abordagem “Uma Só Saúde” e ao Programa Global de Parceria para Doenças Animais Transfronteiriças, Marco da Cruz defendeu uma resposta integrada à prevenção e ao controlo de doenças, tendo em conta a estreita proximidade entre as comunidades rurais e os animais em Timor-Leste. Neste contexto, apelou ao reforço dos sistemas de vigilância epidemiológica, dos serviços veterinários e da cooperação regional, com vista à protecção da saúde pública e animal.
A delegação timorense participou igualmente em sessões dedicadas à inovação para a segurança alimentar, ao investimento nos sistemas agroalimentares, à economia azul e à integração regional. Foram ainda realizadas reuniões bilaterais com parceiros internacionais para explorar novas oportunidades de cooperação nos sectores da agricultura, pescas, pecuária e florestas.
A conferência, que reuniu representantes de 46 países da região Ásia-Pacífico, procurou identificar políticas e estratégias de resposta a desafios prementes como a insegurança alimentar, as alterações climáticas, a volatilidade dos mercados e as pressões geopolíticas que condicionam a produção e distribuição de alimentos na região.


