A comercialização de mariscos junto à emblemática fortaleza de Maputo passa a estar interdita a partir do próximo domingo, 14 de junho, numa medida que se insere no esforço de requalificação de uma das zonas mais movimentadas da baixa da capital moçambicana. A decisão, que abrange as imediações do Porto de Maputo, surge num momento em que as autoridades municipais procuram reorganizar um espaço marcado pela desordem e pela ausência de condições mínimas de higiene, mas é recebida com forte contestação por parte dos vendedores informais que ali garantem o seu sustento.
O retrato actual das proximidades da praça 25 de Junho ajuda a explicar a determinação do município: mariscos expostos ao ar livre, garrafas de bebidas alcoólicas atiradas para o chão e viaturas estacionadas sem qualquer critério compõem um cenário que o Conselho Municipal de Maputo pretende agora corrigir. A nova ordem imposta ao local representa uma tentativa de pôr fim a anos de funcionamento desregulado naquele que é um ponto de referência histórico da cidade.
A interdição ressurge no contexto da requalificação da praça, encerrada durante longos anos e cuja eventual reabertura obrigará à realocação dos comerciantes para mercados formais. Segundo o jornal O País, o município assegura que existem espaços devidamente preparados para acolher os vendedores que actualmente operam na zona, integrando-os num modelo de comércio organizado e em conformidade com as regras sanitárias e de ordenamento urbano.
A medida está longe de reunir consenso entre os principais visados. Apesar das garantias avançadas pelas autoridades quanto à disponibilidade de mercados alternativos, os vendedores informais recusam abandonar o local, onde afirmam conseguir assegurar a subsistência das suas famílias. A resistência destes comerciantes coloca em evidência a tensão entre os objectivos de modernização e limpeza do espaço público e a realidade económica de quem depende diariamente da actividade naquela zona da capital.


