Oito gravuras do pintor francês Henri Matisse voltaram a estar em poder das autoridades brasileiras, oito meses depois de terem sido levadas de uma exposição em São Paulo. Foram encontradas num apartamento onde um homem foi detido em flagrante.
Avaliadas em cerca de 200 mil dólares, as peças da série «Jazz» integravam o acervo mais precioso da Biblioteca Mário de Andrade, no centro da capital paulista. De acordo com a BBC, o conjunto foi recuperado na quinta-feira, 13 de agosto, num imóvel em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. No local, a polícia apreendeu ainda uma arma de fogo.
O assalto remonta a 7 de dezembro. Dois homens armados entraram na biblioteca a meio da manhã, renderam um vigilante e um casal de idosos que visitava o espaço, e saíram pela entrada principal com as obras. Depois, seguiram a pé em direcção à estação de metro mais próxima. Tudo se consumou em poucos minutos.
Além das gravuras de Matisse, cinco obras do brasileiro Cândido Portinari foram igualmente levadas nesse dia. Continuam por localizar. A polícia admite que possam já ter sido vendidas — talvez enviadas para fora do país.
O homem detido na quinta-feira é suspeito de guardar as peças em nome do mandante do crime. Antes dele, outras pessoas já tinham sido presas no âmbito do caso. Segundo a BBC, no comando da operação estaria Laéssio Rodrigues de Oliveira, de 53 anos, um conhecido ladrão de arte apontado como quem planeou e dirigiu o assalto. Encontra-se sob custódia desde abril, na sequência de outro processo. Um outro homem e uma mulher completam a lista de detidos.
As gravuras de Matisse foram criadas para o livro de arte «Jazz», de tiragem limitada. As cinco de Portinari ilustraram uma edição especial do romance «Menino de Engenho», de José Lins do Rego. Umas e outras integravam a mostra «Do livro ao museu», organizada em parceria com o Museu de Arte Moderna de São Paulo. Os assaltantes escolheram precisamente o último dia da exposição para agir.
Matisse é tido como um dos nomes mais influentes da arte do século XX; há quem classifique de «incalculável» o valor das peças que desapareceram. Cândido Portinari é, ele próprio, uma das figuras maiores do modernismo brasileiro, célebre pelos retratos de trabalhadores rurais e operários.


