A disponibilidade para apoiar o regresso da Guiné-Bissau à normalidade constitucional voltou a ser assumida ao mais alto nível da lusofonia. Uma resolução aprovada na 31.ª reunião ordinária do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), reunido em Díli, reafirma o empenho do organismo em ajudar a repor a paz e a devolver as instituições guineenses ao funcionamento próprio de «um Estado democrático de direito».
O compromisso é explícito. A organização promete prosseguir o trabalho por vias diplomáticas, em articulação com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e a União Africana, com o objectivo declarado de fazer o país regressar à normalidade democrática. De acordo com a Deutsche Welle, a resolução dirige um apelo directo aos actores políticos, militares e institucionais, e ainda à sociedade civil, para que coloquem o diálogo acima de tudo — em nome da estabilidade, da paz social e do funcionamento regular das instituições.
Há uma insistência que atravessa todo o documento: a liberdade. Os ministros sublinham a importância da plena liberdade de expressão, da participação cívica e da associação social, cultural e política, direitos consagrados em textos constitucionais aprovados democraticamente.
A crise não é nova. A Guiné-Bissau foi suspensa da CPLP em Dezembro de 2025, depois de um golpe de Estado que afastou o Presidente Umaro Sissoco Embaló e interrompeu o processo eleitoral — incluindo a divulgação dos resultados das eleições gerais de Novembro desse ano. Com a suspensão, a presidência da Comunidade, então nas mãos de Bissau, transitou para Timor-Leste.
O calendário de transição avança. No dia 30, os guineenses são chamados a pronunciar-se sobre a nova Constituição, proposta pelo Conselho Nacional de Transição. O referendo antecede em cerca de três meses as novas eleições gerais, presidenciais e legislativas, marcadas para 6 de Dezembro.
Para a CPLP, a saída passa pelas urnas. A resolução defende que uma solução política duradoura depende da liberdade do povo guineense para realizar eleições transparentes, livres e inclusivas. No mesmo texto, os ministros valorizam ainda o gesto humanitário que representou a libertação de Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e antigo secretário-executivo da própria Comunidade.


