Uma nova carrinha. Para muitos clubes, seria apenas um veículo. Para o AS Redblack Luxembourg, é o símbolo concreto de uma missão que vai muito além dos relvados: levar o futebol até às crianças que, de outra forma, não teriam como chegar até ele.
Em conversa exclusiva com o Letzebuerg Hoje — único meio de comunicação presente na cerimónia de apresentação da carrinha —, António Costa, presidente do clube, explicou o alcance real desta aquisição. O veículo foi financiado integralmente por patrocinadores e responde a uma necessidade há muito sentida: ir buscar os miúdos a casa, às escolas, trazê-los para os treinos e transportá-los para jogos e torneios. “Foi uma boa ajuda”, resumiu Costa, numa tarde em que o entusiasmo era visível entre os presentes.
A conversa aconteceu momentos antes de um momento de especial relevo para o clube: esta quarta-feira, 6 de maio, o AS Redblack Luxembourg disputou uma meia-final da Taça FLF frente aos Green Boys, no Stade Gaston Diederich, jogo que terminou com uma vitória por 3-2 — prova do crescimento desportivo de uma instituição que, a partir da terceira divisão nacional, construiu um projecto de formação com dimensão rara no futebol luxemburguês.
O Redblack Luxembourg conta neste momento com entre 500 e 520 atletas inscritos, entre futebol masculino e feminino, distribuídos por todos os escalões de formação, desde o futebol sénior até ao sub-7. A dimensão do projecto explica-se em grande parte pela parceria estabelecida com o Sport Lisboa e Benfica, de Portugal, no domínio das escolas de futebol e da formação de atletas — uma colaboração que confere ao clube metodologias e uma estrutura de desenvolvimento juvenil fora do comum no contexto luxemburguês.
Mas é no plano social que o Redblack revela talvez a sua face mais distintiva. O clube reconhece que muitas das crianças que recebe têm carências económicas e procura activamente compensar essas dificuldades — nomeadamente através do transporte gratuito da escola até ao campo. A nova carrinha, cujo primeiro grande teste será já este domingo numa deslocação à Holanda para jogos amigáveis, é muito mais do que um meio de locomoção: é uma resposta directa a uma realidade que o clube conhece bem e não ignora.
No plano da inclusão, quando há pais com dificuldades financeiras, o clube facilita o pagamento da quotização ou recorre a patrocinadores que assumem esse custo. O mesmo princípio aplica-se aos torneios: procura-se sempre encontrar apoios externos para que nenhuma criança fique de fora por razões económicas.
Para as famílias que queiram inscrever os seus filhos, o processo é simples. Os interessados podem começar por participar nas sessões de experimentação realizadas aos domingos de manhã, das 9:30 às 10:30 — o chamado “babyfoot”, destinado a crianças, entre os 3 e os 5 anos, que nunca praticaram futebol. E uma sessão de captação de talentos entre as 10:30 e as 12:30. Caso o entusiasmo se confirme, a inscrição faz-se presencialmente na secretaria do clube, aberta às segundas, quartas e sextas-feiras, das 17h30 às 19h30.


