Cerca de 42 milhões de euros foram canalizados desde o início de 2026 para sustentar operações humanitárias em 37 países, num sinal do compromisso do Luxemburgo perante crises que se multiplicam e um sistema internacional de ajuda asfixiado pela falta de financiamento.
Assinala-se o Dia Mundial da Ajuda Humanitária, momento em que o Luxemburgo presta homenagem a quem socorre populações apanhadas por guerras, catástrofes naturais e emergências sanitárias. Mas o ano tem sido brutal para estes profissionais. Segundo o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA), 82 trabalhadores humanitários foram mortos desde janeiro, a que se somam 97 feridos e 39 raptados em todo o mundo. Os ataques contra quem presta socorro atingem níveis sem precedentes.
O apoio reparte-se por teatros muito distintos. Chega a crises frequentemente esquecidas pelos doadores — o Iémen, Myanmar, o Sudão do Sul ou o Burkina Faso — e a emergências de grande escala como o Sudão, Gaza e a Ucrânia, país onde o financiamento luxemburguês sustenta também operações de desminagem humanitária. Perante o agravamento de vários conflitos, o Luxemburgo reforçou ainda o apoio a parceiros que actuam no Médio Oriente e no Sudão, hoje tido como a mais grave crise humanitária do planeta. Houve também resposta às emergências sanitárias: os surtos de ébola na República Democrática do Congo e no Uganda mereceram contribuição através do apelo de urgência da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.
O envelope financeiro é apenas parte da história. Através da plataforma emergency.lu, o país mantém uma capacidade operacional reconhecida, capaz de fazer chegar assistência rápida e dirigida a zonas em crise. Este ano, foram enviados artigos de socorro para populações deslocadas no Líbano — abrigos de emergência, colchões de chão para proteger as famílias do frio e da humidade, kits de cozinha para que os agregados possam preparar as refeições. No nordeste da Síria, distribuíram-se tendas familiares a agregados expostos ao risco de inundações. E em junho de 2026, os sismos que atingiram a Venezuela deram origem a um dos maiores destacamentos de sempre da plataforma. Sete peritos luxemburgueses foram mobilizados, entre eles especialistas encarregados de restabelecer as comunicações de emergência nas áreas sinistradas, enquanto tendas e geradores seguiam para as populações afectadas.
A tecnologia entrou de vez na equação. Em parceria com o Luxembourg Institute of Science and Technology (LIST), vários projectos lançados com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o OCHA e o Programa Alimentar Mundial recorrem à inteligência artificial para melhorar a previsão de catástrofes, acelerar a análise de danos após uma crise e antecipar deslocações forçadas de populações. Ainda em 2026, arrancou uma nova parceria com a Organização Internacional para as Migrações, destinada a criar um quadro de referência para o uso responsável da inteligência artificial no terreno humanitário. A esse esforço junta-se o Competence Hub on Digital Governance in Crisis-Affected Regions, conduzido pelo University of Luxembourg Institute for Digital Ethics (ULIDE), que aprofundará a investigação sobre governação digital, inteligência artificial responsável, cibersegurança e protecção de dados em contextos de crise.
Há por fim uma dimensão de princípio. Num momento em que os conflitos armados se multiplicam e as violações do direito internacional humanitário não param de aumentar, o Luxemburgo reafirma o empenho na protecção dos civis, do pessoal humanitário e médico e no cumprimento das convenções de Genebra. Parceiro de longa data do Comité Internacional da Cruz Vermelha e da base de dados de monitorização do cumprimento do direito humanitário (ICMD), e apoiante do Centro para o Diálogo Humanitário, o país contribui para os esforços internacionais que procuram travar o desrespeito por estas normas, incluindo perante os desafios levantados pelas novas tecnologias nos campos de batalha. O apelo é directo: que todas as partes nos conflitos honrem as suas obrigações, garantam um acesso humanitário seguro, rápido e sem entraves, e combatam a impunidade dos crimes cometidos contra civis e trabalhadores humanitários.


