A segurança hídrica de Moçambique exigirá um investimento de quatro mil milhões de dólares ao longo de uma década, montante necessário para executar o Programa Nacional de Segurança Hídrica (PROÁguaS) entre 2026 e 2036. Segundo o jornal KWELI, apenas 750 milhões de dólares estão actualmente disponíveis, estando o restante financiamento a ser mobilizado junto de parceiros. O programa pretende alargar e melhorar o abastecimento de água e o saneamento, reduzir perdas nos sistemas e reforçar a segurança hídrica em todo o país.
O ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, apresentou estes dados durante o XII Conselho Coordenador do sector, defendendo uma maior coordenação entre as instituições ligadas à água e ao saneamento. O encontro decorre no segundo ano de execução do Programa Quinquenal do Governo 2025-2029 e está enquadrado na Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025-2044. Das 54 acções programadas pelo Ministério e dos 62 indicadores de desempenho definidos, 34 foram integralmente cumpridos, três tiveram execução parcial e 25 ficaram por cumprir. O desempenho médio global foi fixado em 62%.
No terreno, os investimentos já permitiram construir 44 sistemas de abastecimento de água em zonas rurais e 500 fontes de água. Nas áreas urbanas foram feitas 10.743 ligações domiciliárias, beneficiando cerca de 197.400 pessoas, das quais 102.648 mulheres e 94.752 homens. No Niassa entraram em funcionamento quatro sistemas nos distritos de Mavago, Majune, Muembe e Mandimba, enquanto em Sofala foi construído o Centro Distribuidor de Estoril, na localidade do Dondo, de acordo com os dados divulgados pelo KWELI.
O saneamento também registou intervenções concretas. Oito quilómetros da rede de esgotos da cidade de Maputo foram reabilitados, enquanto Tete recebeu 3.500 sanitários domiciliários. Foram ainda construídos 15 sanitários escolares. O desafio financeiro permanece, contudo, considerável: assegurar os recursos ainda em falta será determinante para que o PROÁguaS consiga cumprir, até 2036, as metas previstas para o acesso à água potável e ao saneamento em Moçambique.


