O combate às burlas online e às redes transnacionais de fraude digital vai ser reforçado por Timor-Leste através de uma estratégia que junta segurança, controlo financeiro, migração e protecção das vítimas de tráfico de pessoas. A abordagem foi apresentada em Setembro de 2026 na Conferência Internacional sobre o Combate às Burlas Online, em Phnom Penh, no Camboja, onde o ministro Francisco da Costa Guterres alertou para a dimensão transnacional deste tipo de criminalidade. Segundo o Governo de Timor-Leste, o encontro, subordinado ao lema «Acção Conjunta para Quebrar o Ciclo e Erradicar as Burlas Online», reuniu governos, forças policiais, reguladores financeiros, especialistas em cibersegurança, empresas tecnológicas, organizações internacionais, instituições académicas e representantes da sociedade civil.
As autoridades timorenses já encontraram no terreno sinais da ligação entre fraude digital, tráfico de pessoas e trabalho forçado. Em operações realizadas em Díli e zonas próximas, foram identificados mais de 50 trabalhadores privados dos respectivos passaportes, incluindo pessoas que terão sido enganadas quanto à natureza do emprego e posteriormente coagidas a participar em actividades ilegais. Francisco da Costa Guterres defendeu, neste contexto, a protecção das vítimas e a aplicação do princípio da não punição às pessoas forçadas a cometer crimes no âmbito destas redes.
A resposta nacional passa pelo Plano Nacional Integrado para a Prevenção e Combate às Redes Transnacionais de Fraude Financeira Digital, Burlas Online, Criminalidade Cibernética Organizada e Tráfico de Pessoas 2026–2031. De acordo com o Governo de Timor-Leste, o instrumento estabelece um quadro de coordenação nacional e procura reforçar as capacidades das instituições ligadas à segurança, migração e fiscalização financeira. Entre as prioridades estão uma maior assistência jurídica e partilha internacional de informações, a identificação e o bloqueio de activos provenientes de actividades ilícitas e uma articulação mais rápida com operadores de telecomunicações e plataformas digitais. A protecção, assistência consular e repatriamento das vítimas também fazem parte da estratégia.
A cooperação internacional deverá igualmente ganhar peso. Timor-Leste manifestou disponibilidade para aprofundar o trabalho com a ASEANAPOL, INTERPOL, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e países parceiros, sobretudo através da troca de informações e da colaboração técnica, judicial e consular. O objectivo passa por responder a redes criminosas que atravessam fronteiras e utilizam simultaneamente sistemas financeiros e plataformas digitais para sustentar as suas operações.



