Três décadas de trabalho junto de quem vive na rua ou à beira dela foram celebradas esta quarta-feira numa festa de Verão no Luxemburgo, com 600 refeições servidas, palco montado e um programa pensado para os próprios beneficiários. Não foi um colóquio. Foi uma quermesse.
A Stëmm vun der Strooss, que existe desde 1996 e acompanha pessoas em situação de precariedade e exclusão social no Grão-Ducado, quis marcar o aniversário virando a atenção para os clientes que atende diariamente — e para os parceiros, voluntários e colaboradores sem os quais nada disto se sustenta. A associação trabalha nas áreas da ajuda alimentar, da inserção socioprofissional, do acesso aos cuidados de saúde, do alojamento e do acompanhamento social.
O Letzebuerg Hoje acompanhou a jornada no terreno e falou com utentes de língua portuguesa. Decidimos não fotografar as pessoas envolvidas por razões de respeito de privacidade e por isso os testemunhos que se seguem são publicados sem identificação.
«Houve uma altura em que pensei que estava completamente sozinha. Na Stëmm encontrei pessoas que me receberam com respeito, sem me julgarem, e que nunca desistiram de mim», contou ao Letzebuerg Hoje uma mulher oriunda de um país lusófono, acompanhada pela associação. «Ao longo destes anos, deram-me apoio, coragem e esperança para recomeçar. Hoje continuo a lutar pelo meu futuro, e sei que uma parte desse caminho só foi possível graças à dedicação de toda a equipa. Muito obrigada por tudo o que fizeram por mim.»

Um homem sul-americano, que chegou ao Grão-Ducado há anos, descreveu um percurso semelhante. «Quando cheguei ao Luxemburgo, passei por momentos muito difíceis. A Stëmm ajudou-me quando eu mais precisava, sempre com respeito e compreensão», afirmou, em declarações ao Letzebuerg Hoje. «Nunca me fizeram sentir inferior e estiveram ao meu lado em cada passo. Hoje a minha vida está mais estável e tenho esperança no futuro. Quero agradecer de coração a toda a equipa da Stëmm por todos estes anos de apoio. Nunca vou esquecer tudo o que fizeram por mim.»
O terreno e a tenda de recepção foram cedidos pela Ville de Luxembourg. O Ministério da Cultura financiou o evento; o Ministério da Saúde e da Segurança Social é o ministério de tutela da associação.
As refeições — salada composta, massa vegetariana e sobremesa — chegaram pela mão da Sodexo. As bebidas foram oferecidas pela Coca-Cola Europacific Partners Luxembourg, o vestuário pela UNIQLO, os frigoríficos pela Munhowen.

Durante a tarde passaram pelo palco o Anima Duo, Serge Tonnar, os Bluesy Lips e os The Horse Blinders. Fora do palco, o registo era o de feira popular: insuflável, chamboule-tout, cornhole, jogo das argolas, pesca aos patos, pica-balões, roda da fortuna e um mural colectivo de grandes dimensões, pintado a várias mãos ao longo do dia.
A segurança esteve a cargo da Croix de Malte. Perto de cem voluntários mobilizaram-se ao longo de três dias para montar, animar e desmontar. Vieram de empresas parceiras como A&O Shearman, Amazon, Ares Management, Auchan, Aviva, BDL, BEI, BGL, BNY, Fidelity, Forvis Mazars, Le Pain Quotidien, LSC, Quintet, Schroders, US Bank e Utmost.


