A exploração dos direitos dos trabalhadores domésticos voltou a ser denunciada publicamente, com um apelo dirigido a empregadores e famílias para que ponham fim ao desrespeito por quem assegura, com este trabalho, o sustento dos próprios agregados. A questão central prende-se com remunerações que ficam frequentemente abaixo do salário mínimo e com condições laborais consideradas indignas, num sector que continua a passar despercebido apesar do seu contributo para a vida das famílias e para o desenvolvimento do país.
O alerta partiu da Konfederasaun Sindikatu Timor-Leste (KSTL), cujo porta-voz, Vieira Tera-Santa, sublinhou que muitos destes trabalhadores enfrentam situações injustas, sobretudo no que respeita ao pagamento e ao tratamento que recebem no local de trabalho. Segundo o The Dili Weekly, o responsável defendeu que estes profissionais são trabalhadores como quaisquer outros e merecem um tratamento digno, pedindo aos empregadores e às famílias que os contratam que respeitem os seus direitos. Para a confederação, quando o trabalhador cumpre os seus deveres, cabe igualmente ao empregador garantir o salário conforme a lei, os períodos de descanso e os feriados.
De acordo com os dados avançados pela KSTL, há trabalhadores domésticos que recebem menos de 80 dólares por mês e que não usufruem de direito a feriados, uma realidade que, no entender da organização, exige atenção das entidades competentes. Vieira Tera-Santa insistiu na necessidade de dignificar todos os trabalhadores, recordando que estes também contribuem para o progresso da nação, e afirmou que a promoção de trabalho digno constitui um caminho para reforçar a justiça social e melhorar as condições de vida da população. Salientou ainda que, no processo de desenvolvimento do país, é essencial assegurar que todas as actividades laborais sejam valorizadas e reconhecidas, incluindo os serviços domésticos, frequentemente desprovidos da atenção devida.
O retrato traçado pela confederação encontra eco no testemunho de uma trabalhadora do sector. Joanina Sarmento, que exerce funções como ajudante numa casa em Díli e aufere 120 dólares mensais, reconheceu que o trabalho não é fácil, mas que o mantém porque precisa do rendimento para ajudar a sustentar a família. Relatou ter sofrido, em várias ocasiões, tratamentos inadequados por parte dos empregadores, em especial devido a horários de trabalho excessivos e ao desrespeito pelos períodos de descanso. Apesar de considerar que tais situações violam os seus direitos, admitiu que muitos optam pelo silêncio por receio de perderem o emprego de que dependem.


