Os acidentes rodoviários mantiveram-se estáveis no último ano, mas tornaram-se mais mortais e mais graves, num contraste que volta a colocar a segurança nas estradas no centro das preocupações públicas. Em 2025 foram registados 1.126 acidentes no Luxemburgo — um número que praticamente não varia há quatro anos, apesar de um tráfego cada vez mais intenso —, envolvendo 1.498 pessoas, das quais 29 perderam a vida, 335 ficaram gravemente feridas e 1.134 sofreram ferimentos ligeiros.
O balanço, divulgado pelo STATEC, traduz uma evolução mista. O total de acidentes manteve-se na mesma ordem de grandeza dos anos recentes — 1.094 em 2022, 1.001 em 2023 e 1.136 em 2024 —, mas a mortalidade voltou a subir de forma acentuada: depois de ter descido para 18 vítimas mortais em 2024, o número de mortos aumentou para 29 em 2025, aproximando-se dos valores de 2022, quando se contabilizaram 36 óbitos. O número de feridos graves passou, por seu turno, de 308 para 335.
A exposição dos utentes mais vulneráveis continua a marcar as estatísticas. O número de peões mortos mais do que duplicou, passando de três para oito, ao passo que os utilizadores de modos suaves, em particular os ciclistas, não registaram qualquer vítima mortal, embora tenham contabilizado mais feridos graves. A distribuição por tipo de via mostra ainda que os acidentes mortais ocorrem maioritariamente fora das localidades, enquanto os sinistros graves se repartem entre o meio urbano e o rural, com uma presença significativa na rede de auto-estradas. Os dados confirmam que o risco está presente em toda a malha viária, independentemente das condições de circulação.
O álcool e a droga ao volante permanecem problemas persistentes. A proporção de acidentes com condutores alcoolizados subiu para dezanove por cento em 2025, depois de ter recuado para dezasseis por cento no ano anterior, enquanto os casos associados ao consumo de estupefacientes se mantiveram nos quatro por cento. Para inverter esta tendência, o Ministério da Mobilidade e dos Trabalhos Públicos tem promovido, em conjunto com os seus parceiros, campanhas de sensibilização centradas na atenção, na visibilidade e no respeito pelas regras de trânsito.
Estas acções inscrevem-se no Plano Nacional de Segurança Rodoviária 2024-2028 e na estratégia «Visão Zero», que ambiciona reduzir progressivamente os acidentes graves e mortais até 2050. No mesmo âmbito, está em preparação um projecto de lei que revê o regime de autuações aplicável às infracções mais graves — álcool, estupefacientes e excesso de velocidade —, cuja tramitação legislativa deverá arrancar a breve prazo, a par de uma revisão das sanções e da adaptação do Código da Estrada.
A responsabilidade individual e colectiva surge como eixo central do discurso oficial. A ministra da Mobilidade e dos Trabalhos Públicos, Yuriko Backes, sublinhou que «apesar dos esforços conjuntos do ministério, da polícia grã-ducal e da Segurança Rodoviária, a segurança nas nossas estradas não é satisfatória e tem de ser melhorada. Demasiados acidentes continuam ligados a situações evitáveis, como um momento de distracção, o desrespeito pelas regras e, naturalmente, o excesso de velocidade. Por trás de cada número há uma ou várias vidas destroçadas — e, demasiadas vezes, um futuro que se interrompe». A governante apelou a uma vigilância redobrada e a uma condução atenta e responsável, em todas as circunstâncias e em qualquer modo de deslocação, como condição para evitar novas tragédias.


