Fundada a 2 de Dezembro de 1984, a Associação de Pais de Ettelbruck é hoje um dos pilares mais sólidos da comunidade portuguesa no norte do Grão-Ducado. Com mais de quatro décadas de actividade ininterrupta, a associação expandiu consideravelmente o seu raio de acção, mantendo o ensino da língua portuguesa como eixo central da sua missão, mas diversificando a oferta para responder às necessidades reais de integração das famílias lusófonas na sociedade luxemburguesa.
A iniciativa partiu de um grupo de pais — portugueses e luxemburgueses — que reconheceram a barreira linguística como o principal obstáculo enfrentado pelas crianças recém-chegadas ao país. “A língua foi logo a primeira barreira”, recorda Fernando Vieira, presidente da associação, sublinhando que o apoio ao ensino do português foi desde o início a razão de existir da estrutura. Nos primeiros anos, a associação chegou a importar directamente livros escolares de Portugal, através de editoras como a Porto Editora, para facilitar o acesso dos alunos e das famílias aos materiais didácticos.
Hoje, mais de 150 crianças aprendem português em Ettelbruck, num sistema que combina o ensino integrado — onde os alunos saem da sala de aula luxemburguesa para aprender a mesma matéria em português — com o ensino paralelo e o ensino secundário. A associação mantém uma estreita colaboração com o Instituto Camões, que disponibiliza professores pagos pelo Estado português, cabendo à associação o apoio logístico, nomeadamente a gestão dos espaços. Há sete anos, a estrutura instituiu ainda um prémio anual para os finalistas do curso de português, que inclui uma visita a Portugal com alojamento comparticipado.
Paralelamente ao ensino do português, a associação consolidou uma oferta de cursos de línguas estrangeiras que se tornou, nas palavras do seu presidente, “a coisa mais forte que temos”. Com três professores remunerados, funcionam regularmente turmas de francês — com horários da manhã até à noite para acomodar quem trabalha — e de luxemburguês, respondendo à dificuldade crescente de integração profissional numa comunidade portuguesa que, pela sua dimensão, nem sempre exercita as línguas locais no quotidiano.
A programação da associação inclui ainda aulas de guitarra, frequentadas actualmente por 14 alunos de todas as idades, e um curso de costura semanal aberto a homens e mulheres. No final de cada ano lectivo, realiza-se uma festa dos finalistas onde os participantes dos cursos recebem certificados; os alunos de costura apresentam, nessa ocasião, um desfile das peças que confeccionaram ao longo do ano. As crianças inscritas nos cursos de português beneficiam igualmente de uma visita de estudo gratuita no final do ano escolar, organizada integralmente pela associação.
Outra valência relevante são as permanências consulares, realizadas quatro vezes por ano nas instalações da associação, em parceria com o Consulado de Portugal. O serviço, criado há cerca de sete ou oito anos com o objectivo de descentralizar o atendimento consular e poupar deslocações às famílias do norte do país, mantém-se activo e com procura estável, ainda que Fernando Vieira antecipe um aumento de afluência nos próximos anos, à medida que os documentos de identidade emitidos por períodos mais longos forem perdendo a validade.
A associação assinala este ano 42 anos de actividade, tendo recentemente procedido à mudança de instalações, sem que tal interrompesse o funcionamento dos cursos. Para quem pretenda inscrever-se em qualquer uma das actividades, basta deslocar-se à sede da associação, onde as inscrições são aceites a preços simbólicos.


