A moeda angolana mantém-se entre as mais vulneráveis do continente e do mundo, com indicadores de estabilidade monetária muito abaixo da média da África Subsariana e do padrão global. O país surge no 153.º lugar de uma escala internacional. É esse o retrato traçado por uma análise publicada pelo jornal angolano Expansão, que se apoia na terceira área do índice Economic Freedom of the World, elaborado pelo Fraser Institute. Nessa escala de 0 a 10, a chamada «Sound Money» mede a capacidade de um país oferecer uma moeda sólida e resistente à inflação; quanto mais baixa a pontuação, mais funda é a desordem que corrói preços, salários, poupanças e contratos.
A avaliação assenta em quatro pilares: o crescimento da massa monetária, o desvio-padrão da inflação, a inflação do ano mais recente e a liberdade de manter contas em moeda estrangeira. A travessia angolana entre 2000 e 2023 foi tudo menos linear. Em 2004 a pontuação caiu para 0,000, recuperou até 5,317 em 2012 e atingiu o melhor valor da série em 2014, com 6,547 pontos. Mas o avanço não se consolidou. A partir de 2016 a deterioração regressou, com quebras sucessivas até 3,324 em 2018, e a recuperação parcial que se seguiu levou apenas a 4,379 em 2023, ainda longe dos 6,485 da região e dos 7,382 da média mundial.
O diagnóstico mais recente confirma uma estabilidade amputada. Segundo o Expansão, Angola fica aquém da região e do mundo em todos os indicadores, mas o ponto mais crítico está nas contas em moeda estrangeira, com pontuação de 0,000, face a 4,545 da África Subsariana e 7,152 da média mundial. Ao restringir esse mecanismo de protecção, famílias e empresas ficam mais expostas à desvalorização do kwanza e à inflação importada. As consequências sentem-se no quotidiano: salários e poupanças corroídos, crédito mais caro, investimentos adiados e um Estado pressionado a defender reservas externas com menos margem para políticas eficazes.
Reconstruir a confiança na moeda, defende a análise do Expansão, é uma causa nacional. Passa por articular melhor a política fiscal e a monetária, travar a contaminação da moeda pelos desequilíbrios orçamentais, reduzir a dependência do petróleo e garantir maior transparência cambial e uma autoridade monetária tecnicamente independente. Sem esses fundamentos, conclui o jornal angolano, o futuro do kwanza permanece incerto, com efeitos que ultrapassam a economia e tocam a própria soberania do país.


