O espírito de Maubai foi reafirmado como símbolo da determinação do povo timorense na luta pela independência, liberdade e dignidade, num momento em que se assinalou o 24.º aniversário da Restauração da Independência de Timor-Leste. A evocação da Conferência Nacional de 3 de março de 1981, considerada um marco fundador da resistência organizada, deu o tom de uma reflexão pública sobre o caminho percorrido pela jovem República e sobre os desafios que ainda se colocam à consolidação da sua soberania.
A intervenção principal coube ao Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, que discursou no Arquivo & Museu da Resistência Timorense (AMRT), em Díli, a 18 de maio. Segundo o Governo de Timor-Leste, o Chefe do Executivo descreveu o espaço como “Uma Lulik” — Casa Sagrada — consagrada aos heróis e à memória nacional, antes de recordar a conferência que organizou em Maubai, município de Viqueque, enquanto Comandante-Chefe das FALINTIL, com o objectivo de reorganizar a resistência timorense e fortalecer a luta pela libertação. Perante o risco do desaparecimento da resistência, sublinhou, os combatentes compreenderam que a sobrevivência do país dependia da unidade nacional, acima de quaisquer divisões. “Maubai não foi apenas uma conferência de reorganização militar. Foi um renascimento nacional”, afirmou, defendendo que, a partir desse momento, a luta passou a pertencer a todo o povo timorense.
O Primeiro-Ministro frisou que a luta pela independência não se esgotou em 2002, prolongando-se através da consolidação da democracia, do fortalecimento das instituições e da preservação da memória histórica. Associou ao legado de Maubai a delimitação integral das fronteiras de Timor-Leste e a afirmação do Estado de direito democrático, sustentando que “o 3 de março permanece como uma fonte de inspiração para a nossa soberania plena e inquestionável”. Xanana Gusmão reconheceu ainda o papel fundamental do AMRT na preservação da memória nacional, alertando para a perda irreversível de testemunhos ligados à luta de libertação e defendendo a continuação do trabalho de recolha junto dos veteranos.
Durante a cerimónia foi inaugurada a exposição “Timor-Leste: da memória ao fortalecimento da soberania”, que pretende reflectir os principais momentos da luta pela independência e da construção do Estado nos últimos 24 anos. Mateus Campos Pinto, Director do Departamento de Museologia do AMRT, explicou que o espaço se destina a promover o diálogo sobre a luta nacional. Foi também apresentado o livro “Vidas de Resistência — A Longa Marcha para a Independência de Timor-Leste”, de Rosa Amaro e veteranos timorenses, que reúne testemunhos sobre o processo de libertação. As comemorações haviam tido início com uma missa de acção de graças presidida pelo Padre Angelo Salsinha, reunindo membros do Governo, do Parlamento Nacional, representantes do corpo diplomático, veteranos e estudantes, num ambiente de celebração da identidade nacional.


