A economia mundial registou em Agosto o ritmo de crescimento mais elevado desde Maio de 2024, apesar das tensões geopolíticas e da pressão acumulada nos mercados financeiros internacionais. O índice PMI composto, que acompanha a actividade da indústria e dos serviços, subiu pelo quinto mês consecutivo e atingiu 53,5 pontos, mais 0,8 pontos do que no mês anterior. Os dados fazem parte de uma análise económica de Andrei Rădulescu, publicada pela ICAP CRIF e baseada em indicadores da S&P Global e de outras instituições internacionais.
As novas encomendas aumentaram pelo 34.º mês consecutivo, alcançando o ritmo de expansão mais forte desde Maio de 2023. O comércio internacional também deu sinais positivos: segundo os dados citados na análise, provenientes do Netherlands Bureau for Economic Policy Analysis (CPB), o volume mundial do comércio de mercadorias cresceu 7,5% em termos homólogos em Junho de 2026, a melhor evolução desde Fevereiro. Este ambiente levou ainda as empresas a reforçarem o emprego, cujo indicador atingiu em Agosto o nível mais elevado desde a primeira parte de 2023.
Estados Unidos, Espanha, Irlanda e Índia apresentaram as taxas de crescimento da actividade económica mais fortes em Agosto, enquanto Cazaquistão, Brasil, França e Canadá registaram contracções, de acordo com as estimativas da S&P Global referidas por Rădulescu. O sector dos serviços ganhou particular dinamismo, com o respectivo PMI a atingir o valor mais elevado dos últimos 20 meses. Nos serviços financeiros mundiais, a actividade avançou para máximos desde o final de 2024, num contexto marcado pelo aumento do financiamento destinado à inteligência artificial e pelas crescentes pressões sobre os mercados de dívida pública.
A indústria também acelerou, levando o PMI do sector para um máximo de três meses, sobretudo graças ao comportamento dos bens de consumo. A evolução foi menos favorável nos bens de capital e intermédios. Persistem, ao mesmo tempo, diferenças significativas entre os grandes blocos económicos: a produção industrial cresceu 1,1% em termos homólogos nos Estados Unidos e, em média, 5,4% na China entre Janeiro e Junho de 2026, enquanto a zona euro registou uma quebra média anual de 0,7% no primeiro semestre, influenciada, entre outros factores, pelos preços elevados da energia.
A análise de Andrei Rădulescu chama ainda a atenção para riscos que podem condicionar a economia mundial no curto prazo. Os indicadores económicos avançados do G20 recuaram pelo quinto mês consecutivo em Agosto, atingindo o nível mais baixo desde Dezembro de 2025, segundo dados da OCDE citados pelo analista. A este cenário juntam-se as tensões nos mercados obrigacionistas e as avaliações elevadas das acções norte-americanas, com o indicador de valorização do S&P 500 próximo dos níveis observados em 2000, durante a chamada bolha das empresas tecnológicas.


